Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Autor do Mês - Janeiro 2010





Quando é que se deu conta da importância do Marketing na sociedade actual, e como é que procedeu à sua escolha de enveredar pelo Marketing?

Sempre tive interesse pela gestão das organizações, em especial pelo papel do Marketing numa procura permanente pela optimização da relação com o mercado. Refira-se que para mim o Marketing deve assentar em 3 pilares fundamentais: 1) criação de valor para o consumidor, utilizando a aptidão para compreender as actuais e emergentes necessidades e vontades do consumidor, as capacidades da concorrência, ofertas e estratégias e as tendências para o futuro; 2) gestão da organização, pois cabe ao Marketing o papel de regular e dinamizar a produtividade das vendas e aumentar o valor percebido dos produtos através de uma base sustentada de fidelização de clientes. E isso é feito através de pessoas; 3) integração interna e externa. Há que distinguir entre marketing interno e marketing externo. O marketing externo só é viável na medida que internamente ele seja um sucesso. Consiste na partilha de atitude do marketing por toda a organização, garantindo que ela é interiorizada e defendida apaixonadamente.
Respondendo agora directamente à sua questão, e no âmbito deste pequeno esclarecimento, eu diria que fui “tocado” e me apaixonei por estas matérias em meados da década de 90, quando trabalhava no departamento de Marketing Estratégico do BES e senti que a minha necessidade de aprofundar os meus conhecimentos de Marketing também era partilhada por outros profissionais. Eu diria que se estavam a dar os primeiros passos em Portugal.

Sendo professor universitário em Portugal, como vê o estado do ensino do Marketing português?

Muito heterogéneo, se temos Escolas, a meu ver poucas, que já perceberam que o caminho se faz através da exigência, do rigor e da qualidade, existem muitas outras que não percebem que o facilitismo visa o curto prazo e hipoteca o futuro dos seus alunos e docentes, ou seja, é um “circulo virtuoso negativo” que não contribui para a criação de valor dos vários intervenientes, inclusive da própria Escola, embora no imediato possam ficar “míopes” por questões meramente financeiras. Veja, um aluno mal preparado não prestigia os seus docentes, nem a sua Escola. Qual será a resposta do mercado ? Rejeita os alunos que vêm destas Escolas. Por isso, o trabalho do ensino universitário em Portugal, e também o do Marketing, deverá ser visto de forma séria, não como um negócio, mas sim como uma indústria estruturante e estratégica para o desenvolvimento do país. Boas Escolas têm os melhores docentes e preparam para o mercado de trabalho os melhores profissionais e criam um “circulo virtuoso positivo” gerador de valor para a sociedade. Temos que ter a capacidade de atrair os melhores docentes e especialistas, bem como os melhores alunos e digo isto num plano global. Deverão ser incrementadas as parcerias com a sociedade, com as empresas, com as melhores Escolas internacionais. Na área do Marketing e da Gestão a vertente prática é também muito importante e por isso os alunos terão que sair dos cursos preparados a “saber fazer”. Recordo Confúcio: “O que eu ouço esqueço, o que eu vejo lembro e o que faço aprendo”. Um maior trabalho com as organizações e empresas é fundamental.

Grande parte da sua obra é sobre o Marketing no campo bancário, no momento actual de crise, como vê o Marketing como parte da solução para a recuperação da confiança no sistema bancário?

Julgo que há oportunidades que podem ser exploradas, como as novas formas de comunicação: social media e redes sociais. Sabemos que são já uma realidade e podem permitir aos Bancos uma melhor compreensão dos Clientes e são uma forma de os Bancos estarem mais próximos do mercado. Centrar-se no cliente implica estar onde os clientes estão. Todavia, não podem ser vistas apenas como mais um novo canal de comunicação e não são “a solução”. Devem ser integradas numa estratégia global de Marketing e Comunicação. A tendência é a dos Bancos assumirem novas responsabilidades - ambientais e sociais -, que em vez de factores de risco para o sector, deverão ser abordados como verdadeiras oportunidades de negócio, consubstanciadas na criação de novos produtos e serviços que possam influenciar boas práticas e comportamentos nos diversos agentes económicos. As duas palavras-chaves são: autenticidade e transparência com um objectivo final desejado: CONFIANÇA. Não é novo de facto, mas esta fase de “crise” pode ser uma excelente oportunidade para um banco “agarrar” aqueles clientes que já estão envolvidos com a sua marca, dando-lhes plenos poderes para se tornarem um verdadeiro “opinion maker”. É isso que os principais Bancos estão a tentar fazer.

Além do Marketing Bancário, por quais outros campos do Marketing se interessa?

Tenho dedicado os meus trabalhos essencialmente ao Marketing Financeiro, Marketing de Serviços, Marketing Estratégico, Marketing Interno e Comunicação. Num futuro próximo estou certo que as organizações terão enormes desafios ao nível do Marketing Interno. É um campo que me preocupa e fascina e curiosamente não vejo muitos marketers a partilhar deste sentimento. O Marketing Politico é também uma paixão.

Quais as suas referências (autores) no campo do Marketing?

Sem dúvida Theodore Levitt que escreveu o livro “A Imaginação de Marketing” e ainda o artigo “Miopia em Marketing”. Foi o primeiro a perceber que as organizações com “miopia em Marketing” perdiam o seu foco de negócio, visando apenas o seu produto. Hoje sabemos que as organizações de sucesso são aquelas que têm como foco principal os seus clientes. E, claro, Philip Kotler que como sabe foi considerado pelo Management Centre Europe "o maior dos especialistas na prática do marketing” e que para nós todos é o “Pai do Marketing”.

Cada vez mais aparecem cursos universitários de marketing, acha que existe mercado para os futuros licenciados?

Por tudo aquilo que disse anteriormente, se não houverem grandes transformações parece-me que não. Veja quem no país, nas diversas organizações e empresas, tem grandes responsabilidades na área do Marketing ? São licenciados em Marketing ? Não. Porque será ?

Qual o futuro do Marketing nas universidades e na sociedade contemporânea?

O Marketing interactivo e Social Media irão ter um peso maior. Um estudo recente da Forrester Research prevê que o marketing interactivo em 2014, nos EUA, envolverá verbas de ca. 55 mil milhões de dólares o que representará 21% do total de gastos em Marketing. Estamos a falar de um aumento do investimento em marketing de busca, publicidade on-line, redes sociais, e-mail marketing, social media e mobile marketing.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Lançamento de mais 2 livros - Convites


Aproveito para convidá-lo(a) para as sessões de lançamento dos meus novos livros, nos quais sou co-autor:

Lançamento do Livro "Teamneur"
9 dezembro 2009 das 18:30 às 20:00 – Hotel Altis Lisboa





Lançamento Livro "Marketing Vencedor"
10 dezembro 2009 das 19:00 às 20:00 – Bertrand Chiado

Notícia: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=188&id_news=424904


Consulte os vários livros:

http://www.wook.pt/authors/detail/id/25749


BOAS FESTAS!

Terça-feira, Novembro 17, 2009

A Comunicação dos Bancos com uma crise






Na sua opinião, de que forma é que uma crise financeira como aquela a que assistimos deve impactar a estratégia e a mensagem publicitárias do sector bancário? É melhor optar pela discrição ou reforçar a comunicação com o público?

O impacto é grande e tem sido sentido, não apenas no que concerne ao investimento em publicidade, mas também em relação ao rigor da mensagem, com a obrigatoriedade de uma explicitação mais clara da natureza ou finalidade dos produtos ou serviços financeiros.
Julgo que há oportunidades que podem ser exploradas, como as novas formas de comunicação: social media e redes sociais. Sabemos que são já uma realidade e podem permitir aos Bancos uma melhor compreensão dos Clientes e são uma forma de os Bancos estarem mais próximos do mercado. Centrar-se no cliente implica estar onde os clientes estão. Todavia, não podem ser vistas apenas como mais um novo canal de comunicação e não são “a solução”. Devem ser integradas numa estratégia global de comunicação. Mas permita-me que lhe diga que mais do que uma preocupação com a Comunicação a tendência é a dos Bancos assumirem novas responsabilidades - ambientais e sociais -, que em vez de factores de risco para o sector, deverão ser abordados como verdadeiras oportunidades de negócio, consubstanciadas na criação de novos produtos e serviços que possam influenciar boas práticas e comportamentos nos diversos agentes económicos. As duas palavras-chaves são: autenticidade e transparência com o objectivo final desejado: CONFIANÇA. Não é novo de facto, mas esta fase de “crise” pode ser uma excelente oportunidade para um banco “agarrar” aqueles clientes que já estão envolvidos com a sua marca, dando-lhes plenos poderes para se tornarem um verdadeiro opinion maker. É isso que os principais Bancos estão a tentar fazer.


Publicado no Jornal de Negócios - 16/11/2009

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Todos por Portugal!


Terminados os vários períodos eleitorais e tendo um novo Governo, Portugal precisa que se tenha um espírito de "Selecção". Esquece-se os partidos, as cores e todos nos devemos unir para ajudar o Governo a fazer o melhor pelo nosso país. Haverem divergências é normal, diferentes concepções e visões também, mas o que não é normal é termos partidos que estão do contra "porque sim!"

Eu acredito que é possivel evoluirmos para uma democracia moderna, onde todos procuram participar positivamente, procurando encontrar consenso, nas matérias possíveis, e pensar Portugal em conjunto. Não seria bom, em algumas áreas, termos projectos que resultam da participação de todos ? Espero sinceramente que o maior partido da oposição "abra os olhos" e entenda os resultados das últimas eleições. Os portugueses querem o José Socrates como primeiro ministro de um governo PS, mas querem que o programa a implementar tenha o contributo de todos. E que não tenha apenas a marca PS.

E isto significa que o PSD, apesar de não ter a gestão do governo, tem uma responsabilidade muita elevada. Para participar, criticar, sugerir, propor e tornar a governabilidade possivel. É isto que todos queremos. É isto que Portugal quer! Todos já percebemos, só o PSD ainda não.

Que este novo Governo tenha sucesso! Será bom para a "Selecção".

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Inscrições - últimos dias!





É sabido que os "mercados em rede" estão a começar a auto-organizar-se mais rápidamente do que as empresas que os têm tradicionalmente servido. Graças à web, os Clientes estão a tornar-se mais e melhor informados, logo mais exigentes, e a procurar qualidades perdidas na maioria das organizações. Assim, a exploração de novas tecnologias aplicadas ao Marketing e Comunicação dos Bancos surge como uma vantagem competitiva que, quando bem aproveitada, origina novas formas de trabalho e de contacto com os vários stakeholders. É, então, indiscutível que actualmente os Bancos se defrontam com desafios emergentes relacionados com o Marketing & Social Media. Um Banco para ser competitivo tem de dominar os novos conceitos de orientação para o Cliente, em conjugação com as novas técnicas de exploração e comunicação. Blogs, wikis, facebook, linkedin, second life, rss, podcasts, entre outros, são já uma realidade e os Bancos deverão perceber que Social Media é uma nova forma de compreender e de estar no mercado, não é apenas mais um novo canal de comunicação.

Últimos dias de inscrição no curso de pós-graduação em Marketing & Banking Social Media. Visite o site do curso: http://www.isgb.pt/Cursos/Pós-Graduação+em+Marketing+e+Banking+Social+Media/Pós-Graduação.htm

Sábado, Julho 25, 2009

Inove na gestão de pessoas!







Os tempos que vivemos são de grandes restrições. Todos o sabemos, até porque o sentimos nas nossas vidas pessoais e profissionais. É por isso que não faz sentido termos empresas com pessoas desaproveitadas e desmotivadas. Nunca fez e agora menos. Para o evitar é necessário conhecer-se as principais dificuldades sentidas na gestão das pessoas, quais as competências criticas que contribuem para uma maior competitividade e desenvolver um modelo de gestão de RH que promova e incentive o talento. O papel do IPP Portugal nesta área é muito importante, pois permite antecipar tendências e poderá desencadear nas empresas e na sociedade uma reflexão estratégica sobre os modelos actuais de gestão de RH.

Já mediu o valor que a sua empresa perde por ter pessoas que não estão a dar o seu melhor ? E eventualmente por razões que podem ser alteradas ? Certamente chegará à conclusão que o custo de oportunidade é muito elevado. E, portanto, mudanças têm que ser promovidas no modelo de gestão organizacional e sobretudo nas práticas de gestão das pessoas. Vejamos, segundo o IPR 2ª edição, 70% das empresas não prevêem a geração de reformas e apenas 4% reformarão mais de 20 colaboradores. Já pensou que os chamados “trabalhadores seniores” podem aumentar em muito o valor da sua empresa ? Obviamente que terão que ter uma situação laboral ajustada às suas necessidades e mais flexível. O que está a fazer a este nível ?

Numa época em que está na moda sugerir corte de custos e despedimentos, eu digo corte nos desperdícios sim, mas invista nas pessoas. Incentive a gestão do talento e prove verdadeiramente que os seus recursos humanos são a vantagem competitiva da sua empresa. Não chega dizer que aposta nas pessoas, que os seus colaboradores são o recurso estratégico mais importante, é necessário que a gestão de talentos esteja instituída na sua empresa e que seja incorporada num sistema de incentivos e objectivos. Que seja incorporada no próprio modelo de negócio. Que faça parte da cultura da empresa. Note-se que 38% das empresas prevê aumentar o investimento em formação. Poderá ser uma via para aumentar a qualificação e o grau de motivação dos colaboradores. Mas não chega!

O actual sistema de gestão de recursos humanos, implementado na generalidade das empresas portuguesas, precisa de uma revolução. Foi concebido e desenvolvido para outros tempos. O novo tempo requer uma abordagem ajustada aos diferentes públicos internos. Tem que ser feita uma segmentação e deverão ser identificadas as necessidades, comportamentos e perfil dos diferentes grupos funcionais. A dificuldade a meu ver está na escolha do critério de segmentação, que deverá dar origem a grupos de colaboradores (segmentos) mensuráveis, com potencial, heterogéneos e operacionais, ou seja, uma empresa tem que ser capaz de gerar programas eficazes para atrair, fidelizar e atender segmentos diferentes de colaboradores. Assim, este processo de segmentação, que terá que anteceder a implementação de um sistema de gestão de talentos, deverá pôr em relevo as oportunidades de carreira existentes, permitir a definição de prioridades, facilitar a análise do contexto laboral e facilitar o aumento da produtividade dos colaboradores. Crie diferentes propostas de valor internas. Promova o talento. Do que está à espera ?

Bruno Valverde Cota, Artigo publicado no jornal Expresso, 25/7/2009.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Bancos sábios!







Apesar da presente crise financeira todos os agentes económicos reconhecem a importância do sector bancário na economia mundial.


É indiscutível o papel mobilizador e até mesmo inovador que tem tido nos últimos anos na sociedade global. Mas nesta fase de enorme dificuldade é urgente que os bancos percebam a importância de comportamentos éticos, assentes em três qualidades fundamentais: lealdade com todos os ‘stakeholders', integridade e coragem.

Assim, não basta aos bancos fazerem bem as suas principais actividades: captação de poupanças; aplicação de poupanças em activos diversificados e adequados que reflicta o custo de financiamento e os riscos assumidos; aplicação de poupanças em fundos de investimento; oferta de serviços de aconselhamento financeiro; e a avaliação, controle e diversificação dos riscos da carteira de activos.

São necessárias novas responsabilidades - ambientais e sociais -, que em vez de factores de risco para o sector, deverão ser abordados como verdadeiras oportunidades de negócio, consubstanciadas na criação de novos produtos e serviços que possam influenciar boas práticas e comportamentos nos diversos agentes económicos. É necessária a harmonização e coerência entre as políticas ambientais e sociais defendidas e a abordagem ao negócio praticada através do desenho de uma "estratégia de sustentabilidade", que permitirá o cumprimento das qualidades necessárias referidas. E isso só será possível se houver capacidade e vontade de envolvimento de todos os ‘stakeholders'. Todos os grupos sociais com actividades nos bancos deverão ser envolvidos e o ponto de partida deverá ser o esclarecimento das expectativas de todos. É fundamental ouvi-los e fomentar um ambiente de empatia, inclusive com os mais críticos, tentando perceber os diferentes pontos de vista.

Destaco, todavia, os ‘stakeholders' internos (colaboradores) pela sua especial importância nesta conjuntura económica. Deverão ser encontradas novas formas de relação com os colaboradores (clientes internos). E a este nível chamo a atenção para o recente relatório do IPP Portugal que através dos seus resultados aponta pistas, antecipa tendências, permitindo, a mentes mais abertas, uma reflexão estratégica sobre os modelos actuais de gestão de RH.

Respostas às questões, quais são as reais necessidades dos colaboradores?, como poderá ser melhorado o seu ambiente de trabalho?, como facilitar a sua actividade e desempenho?, são o início de uma nova e necessária abordagem junto dos colaboradores, que integrada numa verdadeira estratégia de sustentabilidade facilitará ao banco a melhoria da ‘performance' financeira, ganhos de reputação e criação de valor.

Aludo a este respeito a um pequeno trecho do "Código do Samurai": "... tomar um barco para Yokkaichi ou Awazu, com o intuito de encurtar a viagem, será uma imprudência. Pois deparar com mau tempo..., é desculpável; mas insistir em ir por um atalho para depois ocorrer algum percalço, isso é completamente indesculpável". Este principio "de que o caminho mais longo é o mais curto" ganha especial pertinência nesta matéria, nomeadamente quando falamos de pessoas.

Fica pois claro que a sustentabilidade não deve ser encarada como uma actividade de um simples departamento, seja de marketing, comunicação ou comercial. Deve fazer parte da estratégia e prática do banco. Para isso é necessário reforçar na cultura dos bancos o conceito de inovação com sustentabilidade, introduzindo algumas ideias e procedimentos, como: estimular as práticas saudáveis, adoptar a sustentabilidade como vector de desenvolvimento, exigir a quantificação de resultados (tangíveis) e criar formas de gestão da inovação. Opções não faltam, é necessário valorizar ainda mais o "Ser Humano", seguindo caminhos para uma existência dos bancos com mais sentido e, eventualmente, com mais sabedoria.
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http://economico.sapo.pt/noticias/bancos-sabios_65041.html