My Books

My Books
My Books

quinta-feira, outubro 23, 2008

Quanto mais pesado... mais paga

Gostaria de partilhar convosco um caso que me foi apresentado pelas minhas alunas do curso de Pós-Graduação em Marketing e Comunicação Empresarial (Teresa Simões de Carvalho, Silvia Filipe, Vanessa Pitta-Grós e Magda Reis) e que vem publicado na Revista "Volta ao Mundo" (Novembro 2006, pág.146) que demonstra a criatividade de um proprietário de um pequeno Hotel Alemão.


Na pacata cidade de Norden, na Alemanha, o Ostfriesland Hotel viu a sua taxa de ocupação subir significativamente.

Qual o motivo? E a razão de tanto alarido à volta de um pequeno hotel à beira do mar do Norte? A explicação é simples: Jurgen Heck-roth, o proprietário, preocupado com a saúde de alguns clientes habituais - consequência do consumo de cerveja -, fixou o preço da estadia de acordo com o peso de cada um. Ao fazer o check-in, os clientes são convidados a subir para a balança com o fito de descobrirem quanto vão pagar. Numa razão de € 0,50 por quilo, um casal com um peso conjunto de 130kg (55 a donzela e 75 o cavalheiro) terá de desembolsar €65, com pequeno-almoço incluído. A medida beneficia quem cuida do peso e é a garantia de que o buffet de pequeno-almoço chega para todos.

Órgãos de comunicação de todo o mundo noticiaram a curiosa iniciativa, que deixou Jurgen sem mãos a medir. Tendo o próprio emagrecido 4kg desde Abril passado. Para quem se sente constrangido com o «fiel da balança», o hotel fixa o preço, perdão, o peso máximo de74kg por pessoa em quarto duplo e 78kg por quarto single.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Marca "Cristiano Ronaldo" ?


Cristiano Ronaldo é um dos jogadores mais espectaculares da actualidade.

Fenómeno dentro e fora dos relvados, o extremo português é um verdadeiro sucesso comercial. Um verdadeiro activo utilizado por diversas marcas e empresas, bem como pela, cada vez maior, legião de fãs.

Do ponto de vista de Marketing, Cristiano Ronaldo apresenta-se como um jogador de futebol diferente. Procura pautar-se pelo espectáculo no jogo e pela irreverência e rebeldia na vida privada. É diferente ... e tem atitude!

O grande público, e em especial os homens da gestão, sabem-no. O estilo peculiar no trato da bola, o sucesso alcançado no Manchester United e a sua vida privada, adocicada por constantes cabeçalhos nas revistas cor-de-rosa e nos acintosos tablóides britânicos, fazem do jovem madeirense um dos mais apetecidos produtos no universo do desporto-rei.

Aos 21 anos passou também a ser accionista do 2º maior banco privado português, já que parte do pagamento do contrato para utilização dos direitos de imagem até ao Europeu de 2008 foi feito em acções.

Em paralelo, o mercado asiático, ávido consumidor de Ronaldo, tem estado em destaque em algumas das recentes aparições do jogador. É conhecido e reconhecido o dinamismo dos povos orientais, daí que não surpreenda a presença do internacional português na publicidade de uma bebida isotónica indonésia ou de fotocopiadoras japonesas .

Exemplos que atestam o estatuto de uma "imagem de marca" ?

terça-feira, outubro 21, 2008

Os Objectivos do Marketing Cultural



Os principais objectivos procurados com a realização de investimentos em actividades culturais pelas empresas, são os seguintes:

· Estabelecer uma comunicação directa com o público-alvo: ao romper as resistências levantadas às formas tradicionais de comunicação, o marketing cultural promove empatia entre as empresas e o seu público, utilizando a cultura como um veículo neutro de transmissão de mensagens.

· Atrair, manter e treinar funcionários: o marketing cultural cria oportunidades de marketing interno, por exemplo, estimula a criatividade dos funcionários ou ajuda a construir espírito de equipa.

· Estabelece relações duradouras com a comunidade: estamos a entrar no campo da responsabilidade social e na ideia das empresas contribuírem para o bem-estar e desenvolvimento da qualidade de vida da sociedade onde se inserem.

· Reforçar a imagem corporativa da marca: estamos a referir-nos ao facto de que através de eventos culturais, a empresa logra transferir para si os atributos relacionados com o evento. Por exemplo, a associação com um evento de música clássica, transmitiria valores de tradição e refinamento.

· Manter ou incrementar o conhecimento da marca ou da empresa: relacionado com o facto da geração de noticias à volta do evento.

· Potencializar o composto de comunicação da marca: o marketing cultural ajuda às restantes ferramentas do mix de comunicação, complementando-as.

FONSECA REIS, Ana Carla. Marketing Cultural e Financiamento da Cultura, p. 72.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Do marketing segmentado, ao marketing universal


O crescimento das empresas tem dependido das novas gerações, mas a situação está a mudar e poucas serão as empresas que estão realmente preparadas para enfrentar as novas condições do mercado.

A pirâmide etária está a modificar-se na União Europeia e pela primeira vez na história, o número de adultos com mais de 40 anos ultrapassa marcadamente o número de jovens adultos. Prevê-se que em 2050, os maiores de 50 anos representarão a grande maioria dos adultos.

Nos EUA os indivíduos com mais de 50 anos controlam mais de dois terços da riqueza do país e lideram ao nível das despesas em produtos topo de gama. No entanto apenas 10% dos orçamentos de marketing é dedicado ao mercado dos mais velhos. O marketing continua a centrar os seus esforços nos consumidores com menos de 40 anos.

O Japão foi o primeiro país a sofrer este fenómeno populacional, três décadas antes dos EUA.
A distribuição da população deixou de ter a forma de pirâmide, e passou a ter a forma de barril. Muitas empresas que dependem do consumo dos jovens são obrigadas cada vez mais a virarem-se para os mercados mais seniores.

A segmentação é feita essencialmente com base em critérios socioeconómicos, demográficos e comportamentais.

O marketing universal evita fazer associações de um produto e de uma marca em função da idade dos consumidores. O seu principal objectivo é alargar a penetração da marca a todo o universo demográfico, evitando o efeito da divisão geracional. Os valores da marca têm de ter significado e serem comuns a todas as classes etárias que tenham potenciais clientes.

Com a diminuição da população jovem as empresas têm de encontrar estratégias que as aproximem também dos mercados mais seniores, utilizando valores transversais às diversas gerações.

sexta-feira, outubro 17, 2008

As “novas tribos” do futebol






No caso do futebol profissional o ‘marketing’ inovador enquanto técnica está a dar os primeiros passos de forma segura e competente.

Um dos traços mais distintivos das sociedades modernas actuais é o da existência de grupos de pessoas, amiúde assaz heterogéneas, que partilham emoções e paixões. Mais importante, esta partilha traduz-se na existência de comportamentos vividos de forma comum.

As tribos das sociedades modernas resultam da canalização da emoção e da paixão para algum tipo de actividade, geralmente associada a uma forma de ocupação de tempos livres. Um conjunto de rituais (uma águia que plana e aterra antes de cada jogo sobre um pedaço de carne crua), quais tripas de borrego que um sacerdote pagão romano inspeccionava antes de grandes momentos políticos ou militares. Com lugares de culto (estádios, recintos desportivos, pavilhões), objectos de culto, hinos e ídolos, numa “parafernália” que em nada fica a dever a qualquer culto ou seita religiosa.

No caso do futebol profissional o ‘marketing’ enquanto técnica está a dar os primeiros passos de forma segura e competente. Talvez o que distinga esta actividade económica de outras seja o facto de os clientes a não reconhecerem enquanto tal. Emoção e paixão são forças dominantes, levando a que os adeptos não raras vezes pertençam a tribos alinhadas com os grandes clubes profissionais de futebol. Verdade se diga, que no passado presidentes de agremiações desportivas, dirigentes de clubes de futebol e por vezes atletas, já utilizavam algumas técnicas do ‘marketing’, conquanto estas fossem a mais das vezes não articuladas e desprovidas de intento estratégico. O que caracteriza a recente interpenetração do ‘marketing’ com o desporto profissional, em mercados que não os dos Estados Unidos da América do Norte, é o seu carácter metódico, o seu rigor e os resultados que consegue. Ao ponto de cada vez mais os clubes de futebol dedicarem uma relevância de gestão crucial ao ‘marketing’, quase ao nível da atenção que dedicam à gestão desportiva. De facto, uma função de ‘marketing’ forte e consistente é entendida em muitos clubes profissionais como condição indispensável ao progresso de clubes ou de sociedades. Os exemplos do Real Madrid ou do Manchester United são, a nível internacional, exemplos do que acaba de ser afirmado. Atente-se um pouco em algumas realidades: a) possuem adeptos não apenas nos países de origem e nas regiões circundantes às cidades onde estão baseados mas em todo o mundo, com especial destaque para o Continente Americano e a Ásia; b) os adeptos dos países de origem, “nacionais”, estão focalizados no desempenho desportivo e a sua lealdade é para com o clube; c) pagam quotas de sócios e compram bilhetes de época e ainda algum ‘merchandising’; d) os adeptos internacionais estão mais interessados num jogo esteticamente belo, mais fiéis aos jogadores bonitos e com carisma internacional que ao clube; e) consomem principalmente direitos televisivos e camisolas; f) para além dos adeptos ainda existem os patrocinadores que buscam associar-se a emblemas desportivos prestigiados, de penetração em múltiplos mercados, vencedores.

Dois exemplos apenas ilustram a importância do ‘marketing’ neste dois potentados:

- a conferência de apresentação, feita às 11 horas de Madrid de David Beckam, aquando da transferência de Manchester para o Real Madrid, foi, até à época, o segundo evento mais televisionado à escala mundial;

- o Instituto de Turismo da Malásia anuncia um patrocínio de três anos com o Manchester United, preterindo o Chelsea, pois o United tem maior projecção e adeptos que os ‘blues’ londrinos.

Em suma, os grandes clubes profissionais de futebol são muito mais que agremiações desportivas. Cotadas ou não em bolsa e dispondo de vultuosos orçamentos anuais, o desempenho desportivo é relevante mas não o único objectivo. Captar patrocinadores, negociar novos e acrescidos direitos televisivos ou de ‘merchandising’, digressões ao Extremo Oriente, entre outros, passam a ser metas instrumentais de relevo e de ‘marketing’.

Artigo publicado no DE, dia 2/2/2007

quinta-feira, outubro 16, 2008

A Comunicação no Marketing Mix


Outro aspecto importante a considerar no plano de marketing trata-se da promoção do produto ou serviço, a forma de comunicação com o mercado. As organizações sem fins lucrativos também utilizam a comunicação para atingir as suas metas. Assim sendo, cabe ao profissional de marketing estabelecer os objectivos e as metas da estratégia promocional da organização, de acordo com as metas e os macro-objectivos da organização:

Criar consciência -Informar o público sobre produtos, marcas, lojas ou organizações.

Criar imagens positivas - Criar na mente das pessoas avaliações positivas sobre produtos, marcas, lojas ou organizações.

Identificar possíveis clientes - Descobrir nomes, endereços e possíveis necessidades de potenciais clientes

Formar relacionamento no canal - Aumentar a cooperação entre membros do canal.

Reter clientes - Criar valor para os clientes, satisfazer os seus desejos e necessidades e fidelizá-los.


“É pertinente destacar que a comunicação voltada para criar consciência é muito importante para lançar novos produtos ou marcas. Por outro lado, quando produtos ou marcas já possuem imagens claras, criar imagens positivas pode criar valor acrescentando significado aos produtos”. (Churchill, 2000)

“A princípio a comunicação pode ser direccionada para identificar os consumidores potenciais e assim formar um relacionamento com eles, logo depois ela pode esclarecer o que estes consumidores desejam e como a organização pode satisfazê-los”. (Churchill, 2000)

Nickels (1999) esclarece que a comunicação integrada de marketing – CIM, é um “processo inter-funcional” de interacção estabelecendo relacionamentos com os consumidores e também com outros grupos de interesse, onde todos os departamentos da organização contribuem neste relacionamento, ou seja, não se trata somente do departamento de marketing, mas todos devem relacionar-se com o mercado. À medida que estas trocas de informações entre a organização e o mercado acontecem, eles aprendem cada vez mais um sobre o outro.

Tão importante como a definição das técnicas a serem utilizadas na comunicação é a escolha do meio que será utilizado. Alguns critérios que devem ser utilizados para a escolha do meio de comunicação:

- Cobertura ou alcance: número de pessoas ou domicílios expostos pelo menos uma vez durante um certo período de tempo a um determinado meio de comunicação;

- Audiência: percentual da audiência potencial total exposta a um meio de comunicação;

- Frequência: número médio de vezes que uma pessoa ou domicílio são expostos a um meio de comunicação dentro de um certo período de tempo.

A televisão, a rádio, imprensa, banners, painéis luminosos, cartazes, placas, balões, brochuras, bandeiras e o busdoor são alguns exemplos dos meios de comunicação que as empresas podem utilizar. As organizações podem ainda criar a sua própria home page, patrocinar sites ou até mesmo utilizar-se de banners.

Outro aspecto a considerar são as promoções, utilizadas para influenciar o comportamento do consumidor. Churchill (2000) afirma que existem diversas ferramentas de promoção, a destacar: cupões, brindes e prémios, displays, programas de fidelização e exposições.

Todas as organizações devem preocupar-se com suas relações públicas e com o tipo de publicidade que estas geram. Por ser uma comunicação não paga ela pode ser veiculada pelos meios de comunicação como notícia, gozando assim de credibilidade e confiança pelo público de uma maneira geral.

A publicidade deve ser planeada, implementada e controlada como qualquer outra forma de comunicação, podendo ocorrer de várias formas:

- Press-releases: também conhecida como comunicado à imprensa, as informações são escritas pela organização e distribuídas aos meios de comunicação;

- Entrevistas colectivas: a organização convida repórteres e comunicam o que necessitam que chegue até seu público-alvo;

- Actividades e eventos: destinados a chamar a atenção dos media sobre as actividades da organização.

É de salientar que o aspecto das comunicações actuais de marketing tem vindo a sofrer alterações significativas. Isto porque as organizações estão a afastar-se do chamado marketing de massas para dar lugar ao marketing de relacionamento, procurando relacionar-se com os seus clientes de maneira personalizada e direccionada.

Todos os funcionários de uma empresa devem estar envolvidos na busca incansável da satisfação dos clientes dentro da sua função exercida na empresa.

Desse modo, a capacitação, a transparência e a valorização do trabalhador são alguns dos atributos que devem orientar as empresas que desejam ser eficientes na busca da competitividade.

quarta-feira, outubro 15, 2008

O que é a Publicidade ?

A publicidade é uma forma de comunicação paga através da qual se transmitem mensagens orais ou visuais que se destinam a informar e influenciar o público-alvo, utilizando o espaço e tempo de diversos meios de comunicação disponíveis.

A publicidade pode ser de produto ou institucional. A publicidade de produto consiste na divulgação dos atributos e vantagens do produto. A publicidade institucional está focada na organização (empresa com fins lucrativos ou não) que fornece e comercializa produtos.

-Objectivos da publicidade-

Os principais objectivos da publicidade são:

Informar
A informação divulgada pela publicidade visa comparar diversos produtos entre si, segundo certos critérios e objectivos. Apresenta as características dos produtos, o seu conteúdo e o seu modo de utilização, onde pode ser adquirido e onde a assistência técnica pode ser prestada.

Aumentar o nível de notoriedade
As marcas ou empresas produtoras podem ser divulgadas através da publicidade, para que os clientes e os agentes envolvidos na comercialização saibam da existência do produto. No processo de adopção de um produto, quanto maior o nível de conhecimento, maior a probabilidade de experimentação e adopção desse produto.

Diminuir o risco de compra
Ao fornecer informação e aumentar o nível de notoriedade, está a diminuir o risco de compra por parte do cliente. Deste modo, facilita o processo de decisão de compra.

Confirmar a decisão de compra
A incerteza quanto à compra efectuada e os efeitos negativos associados à dissonância cognitiva podem ser minimizados com a publicidade. Assim a probabilidade de repetição de compra aumenta.

Diferenciar
Muitas vezes não é fácil diferenciar os produtos. Assim, o recurso à segmentação baseada em critérios psicológicos torna-se indispensável e a publicidade constitui um instrumento poderoso, que permite tal diferenciação.

Através da publicidade o posicionamento dos produtos no mercado pode ser reforçado pela identificação das classes sociais e estilos de vida, associados ao produto e a quem o compra ou utiliza.

A publicidade constitui assim um instrumento que permite ajudar as empresas no esforço de comercialização dos produtos e, ao mesmo tempo, beneficiar os clientes.

No entanto, na publicidade nem tudo é bom. A divulgação de informações erradas ou enganosas e de promessas não cumpridas constituem uma das principais acusações da publicidade.

terça-feira, outubro 14, 2008

PASSATEMPO: "Desafio Quentes & Boas dá prémio para o melhor argumento"


O passatempo organizado pela Páginas Amarelas, e apadrinhado por Fernando Alvim, volta agora as suas atenções para os "Argumentistas".

A melhor ideia de sinopse, guião e descrição de personagens e locais em que a Páginas Amarelas ou os seus produtos sejam protagonistas, é premiada pela marca com um equipamento Samsung i900 Omnia.

Para participar os utilizadores têm que enviar os textos para: http://desafio@quenteseboas.pt/desafioquenteseboas@gmail.com. Podem também debater outros argumentos participantes no Fórum Quentes & Boas em http://www.quenteseboas.pt/. O vencedor final é dado a conhecer no dia 27 de Outubro.

Quanto ao Desafio Quentes & Boas, os 50 vídeos com mais visualizações no website Quentes & Boas e no Youtube serão analisados a partir dessa data. A 11 de Novembro deste ano, dia de S. Martinho, são anunciados os prémios para os três melhores vídeos. Um júri constituído por especialistas em imagem e criatividade premeia as melhores "películas" com 15.000€, 10.000€ e 5.000€.

segunda-feira, outubro 13, 2008

O Poder das Crianças...

Entende-se que as crianças influenciam directamente os pais quando lhes pedem expressamente para comprarem determinados produtos e estes o fazem. Todavia, fruto dos diversos e repetidos pedidos por parte das crianças, os pais aprendem a antecipar esses pedidos: é o que se entende por influência indirecta.

Estima-se que a influência (directa e indirecta) das crianças sobre as compras dos pais leva a gastos das famílias norte-americanas entre 450 e 500 mil milhões de dólares.

A influência nos gastos paternos depende do grau em que as crianças participam no processo de decisão. Por exemplo, quando uma mãe vai às compras, cerca de um terço do que gasta é para as crianças, mas se a criança estiver presente, geralmente, ela gastará mais do que um terço.

De uma forma geral, as crianças constituem um grupo de influência forte até em áreas como o tabaco e as bebidas alcoólicas (levando os pais a diminuir o seu consumo) e como a reciclagem ou outras “causas” sociais sobre as quais ouvem na escola, na televisão ou junto dos amigos.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Para o fim de semana ... Fernando Pessoa




Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.


Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa
11-9-1933

quinta-feira, outubro 09, 2008

Marca


A marca é algo que um produto possui que o permite distinguir dos restantes. A utilização de marcas é uma prática corrente, pois não só responsabiliza quem produz ou comercializa um produto como também ajuda o consumidor no processo de decisão de compra.

Através desta responsabilização, transmite-se ao mercado um maior grau de confiança e transparência na comercialização de produtos.

Por outro lado, a marca constitui um activo das empresas, ou seja, tem um valor associado que depende da penetração no mercado dos produtos que a utilizam e da sua força, notoriedade e fidelização.
Existem outras entidades a utilizar as marcas que não só os fabricantes. Assim temos, os agentes envolvidos na comercialização dos produtos, os distribuidores, os grossistas e retalhistas que criam muitas vezes as suas próprias marcas, que são usadas em produtos por si encomendados e fabricados por outras entidades.

Podemos dizer que a importância da utilização de uma marca assenta nas funções que esta desempenha, tais como: identificação, grau de qualidade, segmentação, imagem, satisfação e lealdade.

Identificação
O objectivo de uma marca é que se possa identificar de forma rápida e fácil, de modo ajudar os clientes no processo de tomada de decisão de compra. Por outro lado, diminui o risco de compra já que está associada a um conjunto de atributos tangíveis ou não tangíveis, que os consumidores sabem que vão encontrar nos produtos com essa marca.

Qualidade
Outro objectivo da marca é ajudar na colocação dos produtos em termos de qualidade técnica ou percebida. Diferentes consumidores podem ter diferentes percepções de qualidade para produtos muito semelhantes do ponto de vista técnico.

Segmentação
Os gestores podem utilizar a segmentação do mercado mais facilmente devido à utilização de marcas. Sobretudo quando os critérios seguidos na segmentação são intangíveis a utilização de diferentes marcas para segmentos de mercado diferentes, torna-se na única maneira de distinguir os produtos. Assim, essa prática possibilita o tratamento operacional de cada segmento de uma forma mais eficaz assim como permite um posicionamento mais claro dos produtos oferecidos.

Imagem
A marca possibilita uma impressão psicológica mais fácil e duradoura na mente dos consumidores, ou seja, produtos de uma determinada marca podem conseguir imprimir uma imagem na mente dos consumidores diferente da imagem associada a outros produtos semelhantes com outras marcas.

Satisfação
A satisfação advém na medida em que a imagem criada por uma marca se enquadra nas características psicológicas do consumidor e ao seu estilo de vida, assim ele identifica-se com essa marca, satisfazendo-se com a utilização ou consumo de produtos dessa marca.

Lealdade
A marca intervém de forma decisiva na satisfação por parte do consumidor na compra, utilização ou consumo de um produto. Isso conduz a um maior grau de lealdade e consequente repetição do acto da compra desse mesmo produto. Quando existe uma repetição do acto de compra, o consumidor opta naturalmente por produtos que já o satisfizeram anteriormente.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Banca: plano de contingência?




O cliente está no controlo e os bancos poderão apenas ficar a observar, perdendo-os pouco a pouco ou juntarem-se a eles.

A nossa sociedade vive um problema de excesso de comunicação. E por vezes não é fácil a um banco conseguir que a mensagem esclarecedora se sobreponha a todos os impactos do descomedimento de comunicação existente. Para percebermos a dimensão das dificuldades, eu recordo que, segundo Jack Trout, nos últimos trinta anos produzimos mais informação que nos 5000 anteriores, qualquer jornal diário actual contém mais informação que um europeu médio do séc. XVII podia dispor durante toda a vida e publicam-se diariamente em todo o mundo mais de 4000 livros. Ora, é neste contexto de uma nova era de informação que estes incidentes de falências de instituições financeiras ocorrem.

Perante esta realidade, parece-me que a melhor forma de actuação a considerar é a de informar e esclarecer o mercado com toda a verdade. E se isso é feito apenas pelos meios tradicionais, nos tempos que correm é insuficiente. Para além das linhas telefónicas de apoio e as acções de sensibilização que podem ser feitas pelos colaboradores do ‘front-office’ dos balcões, deverá ser aplicado um plano de contingência que preveja as novas formas de comunicação – ‘social media’. Meios correntes de ‘Social Media’ incluem ‘blogues’, fóruns de discussão, ‘podcasts’, ‘wikis’ e ‘vblogues’.

No passado, existiu um problema de falta de oportunidades disponíveis para que o cliente pudesse exprimir a sua opinião (positiva ou negativa) … agora tudo mudou. O cliente está no controlo e os bancos poderão apenas ficar a observar, perdendo-os pouco a pouco ou juntarem-se a eles. Se um banco não o fizer, fica aqui o aviso, algum outro o fará. As duas palavras-chaves necessárias são: autenticidade e transparência com o objectivo final desejado – confiança. Não é novo de facto, mas esta fase de “crise” pode ser uma excelente oportunidade para um banco “agarrar” aqueles clientes que já estão envolvidos com a sua marca, dando-lhes plenos poderes para se tornarem um verdadeiro ‘opinion maker’.

Estará o estimado leitor a perguntar o que é que pode, ou deve, ser feito em termos de comunicação interna, nomeadamente junto dos colaboradores que estão a vender esses produtos financeiros?

Do meu ponto de vista, a comunicação interna é cada vez mais uma área importante de actuação dos bancos, sobretudo em situações destas. Deverão ser promovidas reuniões de sensibilização e esclarecimento junto dos gerentes de balcão, que deverão desmultiplicar a informação através dos seus colaboradores directos, os gestores e comerciais. Não poderão haver dúvidas, pois é fundamental que no momento da verdade, quando o cliente reclama ou solicita informação, haja capacidade de resposta em tempo útil. Ao mesmo tempo, deverá ser criada uma área nas ‘intranets’ só dedicada a este tema e os colaboradores que estão no atendimento dos balcões deverão ter acesso a um ‘chat’ interno onde possam aprofundar questões de difícil resposta, em tempo real, e a atender o cliente. Refira-se a este nível também a importância da formação comportamental. Os colaboradores deverão estar treinados a actuar em situações de crise e com clientes difíceis. Num sector, em fase de maturidade, sem grandes diferenças entres os produtos financeiros de cada banco, como a banca, o que fará a distinção é a qualidade de serviço. E isso só é possível com colaboradores que dominem, para além da componente técnica, a “arte de sedução” dos clientes. A base desta actuação deverá assentar na criação de novos processos internos, programas de motivação e valorização dos colaboradores. Estes deverão receber apoio da cultura do banco, da estrutura organizacional e da liderança. Quem trabalha neste sector sabe que o desafio é grande, pois a aceitação e a adopção de mudanças culturais e estruturais implica que os líderes, como por exemplo os gerentes e directores de zona, tenham como método de solução de problemas o princípio de cooperação e comunicação interna. Neste momento, é necessário um novo papel, em que o líder precisa de ser o modelo e o exemplo de uma nova cultura organizacional. É quase como um processo de “realfabetização” e “reeducação” orientado para uma cultura do “servir”. Que acredito muito necessário… ou até mesmo indispensável!

www.marketinginovador.com
____

Deixa comentário em:

terça-feira, outubro 07, 2008

Quem faz Comunicação Interna


Vários estudos sobre Comunicação Interna revelam dados importantes e que entram em choque com o que seria o modelo adequado. Os entrevistados maioritariamente foram profissionais de Recursos Humanos e de Marketing e Comunicação, de empresas de pequena, média e grande dimensão.


- Em 61% das empresas, a Comunicação Interna não é um departamento formal;
- Quando existe, esta divisão, em 43% dos casos fica sobe a alçada do departamento de Recursos Humanos e em 28% a cargo do departamento de Marketing e Comunicação;
-A Administração, em 9% das empresas, é a responsável pela comunicação com os seus colaboradores.

Estas informações mostram que a Comunicação Interna é pouco profissional, não sendo realizada, na sua maioria, por quem percebe do assunto, ou seja o departamento de Comunicação. Outro dado preocupante é que o departamento de comunicação não trabalha directamente com o de Recursos Humanos.

Este dado pode ser uma indicação da falta de um verdadeiro diálogo entre as empresas e os seus funcionários: 67% dos inquiridos não recebem uma medição formal dos resultados obtidos com a Comunicação Interna. A ausência de meios para mensurá-la denota pouco interesse nas respostas dos colaboradores. A falta de avaliação não permite o constante aprimoramento das ferramentas e do conteúdo da comunicação.

Em relação aos problemas para implantar um programa moderno de Comunicação Interna, 63% ressalvam a resistência ou falta de apoio e de reconhecimento da direcção. 19% apontam a insuficiência de dinheiro e 11%, à resistência dos próprios funcionários. É sabido que para a viabilização de um projecto de Comunicação Interna que supra as reais necessidades da empresa e dos funcionários, o cumprimento e a boa vontade das esferas superiores são imprescindíveis.

Para 44% dos entrevistados, a Comunicação Interna é tida como uma mera ferramenta instrumental, sinónimo de medias internas.

A empresa vê a utilidade da Comunicação interna da seguinte forma:

-76%, integração de funcionários;
-61%,inovação dos Recursos Humanos;
-60%, responsabilidade social;
- 57%,mudanças operacionais;
- 53%, mudanças ligadas à reestruturação produtiva;
-51%, inovação de produtos/serviços e responsabilidade social ambiental;
- 48%, mudança cultural;
-47%, diversidade;
-16%, responsabilidade histórica.

Neste quadro observa-se que a empresa ainda não vê a comunicação como um verdadeiro canal de diálogo com o funcionário.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Marketing Cultural como Ferramenta da Construção da marca





As acções de marketing de cariz cultural que visam contribuir de forma positiva para a construção de um marca podem apresentar diversas formas :

• Mobilizando a organização para a construção de marca: as acções de marketing de cariz cultural beneficiam a empresa e os seus clientes, mas também os colaboradores – passam a orgulhar-se de trabalhar na empresa.

• Fornecendo uma experiência de evento para os clientes: o evento é um momento no qual a empresa está em contacto directo com o seu publico alvo, ajudando a empresa a aproximar-se dele. Para a empresa é uma oportunidade de criar um vínculo directo entre a marca e o cliente ou de recompensar clientes importantes.

• Demonstrando novos produtos ou tecnologias: um evento pode ser utilizado para apresentar uma tecnologia na qual a associação com a marca é evidente.

• Criando exposição de marca: o evento pode levar a uma cobertura pelos média, divulgando o evento e proporcionando exposição à marca.

• Desenvolvendo associações de marca: um dos objectivos das empresas investirem em cultura é ganhar determinada associação entre um segmento-alvo. Não se pode esquecer é que a empresa pode obter associações positivas como também negativas.

• Tornando–se parte de um vínculo evento-cliente – efeito de afiliação: em muitos casos um evento pode conseguir que um segmento de pessoas esteja completamente envolvida nele, arranjando tempo para a actividade, mantendo-se informada e actualizada no campo. Fazer parte de um evento pode ser uma questão de identidade.

sexta-feira, outubro 03, 2008

WOM Marketing


De uma forma simples, o «WOM Marketing» consiste em reunir pessoas voluntárias e proporcionar-lhes a experiência de utilizarem e testarem um determinado produto ou serviço. A ideia é que estas pessoas transmitam a experiência que tiveram às pessoas com quem se relacionam diariamente.

É certo que qualquer um de nós já utilizou o “passa palavra” para comprar um livro, para saber a opinião sobre um filme ou até mesmo de um restaurante. A verdade, é que o poder do “passa palavra” sempre foi conhecido como uma forma de persuasão e de influência dos consumidores. Algumas empresas escolhem pessoas com perfis específicos para o “passa palavra”.

Temos aquelas pessoas que sabem tudo sobre todas as coisas, que Malcolm Gladwell, colunista da revista «New Yorker», no livro “«The Tipping Point»” apelida de «mavens», ou os “influenciadores” ou “pioneiros”, que são aquelas pessoas que espontaneamente definem tendências culturais. O primeiro caso conhecido de utilização desta técnica foi o da «Procter & Gamble», que contratou mais de 200 mil adolescentes para falarem sobre vários produtos triviais como a pasta de dentes.

Então, o «WOM Marketing» parte do princípio de que a mensagem de marketing dirigida a cada pessoa é muito mais forte e poderosa, uma vez que é pessoal, ao contrário da publicidade tradicional através de rádio e TV.

Para alguns «marketeers» o «WOM Marketing» suscita alguns problemas de carácter ético, nomeadamente quando existe o pagamento a “profissionais” para dizerem bem de um determinado produto ou serviço, a exemplo do que fez a «Sony Ericsson» que contratou “turistas disfarçados” para lançar um novo modelo de telemóvel que tirava fotografias. No entanto, não nos podemos esquecer que o consumidor é, cada vez mais, sofisticado, sabe o que quer, e se não gostar não compra.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Integração CRM / ERP





Com processos automatizados (como quotas de vendas, submissão de pedidos/ordens de encomenda, processamento, com contas de cliente, histórico de contactos/vendas, os níveis de inventário e os dados logísticos, etc.), a empresa ganha total visibilidade da cadeia de fornecimento – Visão Holística e Integrada.

Eis os principais benefícios da integração CRM/ ERP:

• Facilita o planeamento e a calendarização centrada nas exigências do Cliente, através da empresa e dos seus fornecedores.

• Melhora a experiência do Cliente, ao proporcionar ao cliente, através dos canais disponíveis, o acesso aos serviços e informações da empresa (ex: disponibilizar via Internet o estado da entrega de um produto a qualquer hora e onde quer que estes se encontrem).

• Optimiza as operações – permite basear os processos e o funcionamento na prioridade ao Cliente, ao fornecer informação do cliente em tempo real.
(ex: permite resolver os problemas dos clientes de forma eficiente e no menor espaço de tempo) - workflow.

• Empowerment do Marketing e das vendas, ao dar acesso aos vendedores à informação do cliente, preços e disponibilidades, em tempo real, e permite ao cliente configurar directamente os produtos/serviços.

• Serviço pós-venda possibilita aos empregados visualizar informação e detalhes sobre o Cliente, aceder ao histórico de transacções e contactos do Cliente, num único interface.

• Standardização/uniformização dos dados e dos processos.

• Incremento da eficiência possibilita a adequação das respostas às necessidades e exigências dos Clientes, correspondendo (ou superando) as suas expectativas.

• Contribui para Servir mais e melhor os Clientes, através do Conhecimento do Cliente (actuar em Knowledge bases) e da melhoria da cadeia de Valor.

• Aprofunda o Relationship Management, ao incrementar a Personalização, a Confiança, a Reciprocidade (Learning Relationship) - contribui para o aumento da quota de mercado, através de relações duradouras.

• Constitui uma Proposta de Valor numa perspectiva de LTV (Life-time Value), ajudando à Fidelização dos Clientes, como Parceiros de Negócios.

Actualmente, a solução empresarial para alcançar benefícios e resultados nas empresas, em tempo recorde, passa pela implementação de uma estratégia de ERP e CRM. Diversas empresas, nomeadamente PME’s, implementaram soluções de ERP e CRM, para transformar a sua relação com os Clientes. Este modelo garante resultados vantajosos para as empresas que o instalam. O objectivo fundamental é identificar, atrair e reter os clientes (actuais e potenciais), incrementar a sua satisfação e optimizar a rentabilidade dos negócios.

No entanto, esta adopção rápida do software corre o risco de fracasso, se não for acompanhada por uma alteração de mentalidades dos RH da organização. Com efeito, um software integrado de CRM/ ERP, não é uma “ferramenta mágica”, por esse motivo, não se podem descurar factores determinantes: implementação apropriada, formação adequada das equipas, cultura empresarial...

De outro modo, toda a informação útil que se pode obter através desta aplicação resulta infrutífera.

Os benefícios dos sistemas ERP são clarividentes, tanto como sistemas de redução de custos de fundo, como de crescimento de topo, baixo stock e custos operacionais, produção mais eficiente com melhoramento da qualidade e desperdício, maior procura dos consumidores e melhor “cash-flow”, gestão de investimentos e despesas.

Além destas qualidades, os novos sistemas de ERP são mais que a “espinha dorsal” da empresa são uma clara aproximação da organização ao meio organizacional que a rodeia, nomeadamente a cadeia de fornecimento em que é parte integrante. Assim sendo pode-se definir os novos ERP como sendo uma versão melhorada (ERP II) em que sistemas que se desenvolveram em paralelo como SCM e CRM surgem como parte integrante do sistema principal e funciona como um elo de informação entre as diferentes empresas do plano negocial da sua cadeia de fornecimento.

Conclui-se que os ERP estão em vias de desenvolvimento, e segundo as últimas notícias também em expansão, para exemplo, basta verificar a aposta forte da Microsoft em criar um sistema ERP para PME mas que implemente e integre todas as funcionalidades que as grandes empresas já têm implementadas nos seus ERP, e estas funcionalidades são prometidas com alto nível de compatibilidade e integrabilidade com os modelos já usados nas grandes multinacionais permitindo assim a ligação informacional entre organizações criando assim uma sinergia com um valor incalculável para todas as empresas.

Contudo, muitas vezes ocorre que, por questões financeiras, em vez de ser o sistema a adaptar-se às necessidades da empresa, é a empresa que tem que se adaptar às funcionalidades do sistema, gerando falta de resposta para algumas áreas de negócio da empresa.

Na tentativa de superar a concorrência, temos assistido a associações de empresas que são dependentes entre si (produtoras, distribuidoras, revendedoras, empresas de serviço pós-venda, etc.). Assim é possível manter o padrão de qualidade do produto/serviço não só na produção mas também a nível de todos os intervenientes, desde a produção, à distribuição, à venda e à pós-venda. Neste âmbito, todo o grupo fica fortalecido perante as emergentes exigências do mercado, tendo como objectivo a capacidade de resposta face à concorrência.

Como consequência da união entre empresas, surge a necessidade da redução de custos, nomeadamente a nível da comunicação. Uma das formas de limitar estes gastos, é por exemplo, a utilização do VoIP (Voice over IP), que é uma ferramenta de comunicação áudio/audiovisual através da Internet, permitindo assim a redução de custos. Por outro lado, assiste-se a uma necessidade das empresas em expandir os seus negócios para além do seu país de origem, constituindo assim o VoIP uma excelente ajuda, quer a nível de contacto com os clientes, quer a nível do serviço pós-venda.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Marketing em versão mini

Sabia que cerca de dois terços da população mundial aufere anualmente menos de 1.100€? Sabia que é possível elevar o patamar do poder de compra dos povos de países emergentes como a China, Índia, Filipinas, México e Brasil? Um estudo realizado por C.K. Prahalad da Michigan Business School e Allen Hammond do World Resources Institute, concluiu que os 18 países emergentes mais populosos acolhem 680 milhões de famílias com rendimentos anuais inferiores a 6.000€. Estas famílias representam conjuntamente uma massa crítica da dimensão do PNB da Alemanha - ganham por ano cerca de 1.4 milhares de milhões de euros. Efectivamente, o poder de compra existe nestes mercados, mas em porções diferentes do que nos EUA, Europa ou Japão, onde as populações auferem 20 a 30 vezes mais.

Entramos na era do “Sachet Marketing”. A essência desta nova tendência do marketing reside em ajudar as empresas a colocarem os seus produtos no mercado pensando pequeno, mas em quantidades grandes, sem perder o enfoque na marca. A gigante “Unilever” apresenta soluções ilustrativas na sua gama de detergentes, sabão e champô, para o Brasil, Índia, Filipinas e Tanzânia, onde por exemplo o sabonete é vendido em unidades reduzidas e a preços que rondam alguns cêntimos de Euro. A operadora “Telco” incentiva os Filipinos com um regime de “pré-pagos” que também permite ao cliente vender os créditos não utilizados a terceiros. O “Smart Buddy System” pode render aos seus utilizadores margens de 15%.

O “Sachet Marketing” dirige-se principalmente a clientes com vontade de consumir, mas com dificuldades financeiras. Para o efeito, as empresas que o utilizam recorrem a micro-empréstimos, a porções reduzidas do produto ou serviço, leasing e opções de revenda de parte ou da totalidade do bem.

Em suma, esta “nova fórmula” permite servir um produto ou serviço em porções mais económicas, o que nos tempos que correm é útil a todos nós. Fica a dica para as empresas e consumidores portugueses…

terça-feira, setembro 30, 2008

Tendências do Patrocínio



O patrocínio é, cada vez mais, uma parte integrante da comunicação da empresa. Como prova dessa integração tem-se registado recentemente uma diversificação dos eventos e entidades patrocinados:

Patrocínio a lugares de prestígio: consiste na ligação da marca ao reconhecimento público de determinados lugares, aproveitando o seu posicionamento.

Patrocínio a centros comerciais: o patrocínio a actividades em centros comerciais, estes que representam actualmente focos de lazer para milhões de pessoas, são uma forma de capitalizar o investimento feito.

Criar ou comprar eventos: analisando a possibilidade de criar ou comprar eventos ressalta a perspectiva de ficar detentor dos direitos ou partilhá-los com o produtor dos mesmos.

Patrocínios a conteúdos de televisão: patrocinar programas de televisão com os quais os nossos segmentos-alvo se identifiquem.

Patrocínios de conceitos abstractos: apesar destes conceitos não poderem ser comprados ou detidos, impera a regra de quem chegar primeiro fica «dono e senhor» da imagem associada a esse conceito.

Internet e TV Digital: a tecnologia deslocou o poder para as mãos do utilizador, levando a um crescimento exponencial do patrocínio na Internet: o web sponsorship. A diferença em relação ao patrocínio tradicional é que a marca não provoca directamente algo ao utilizador, mas antes fornece informação. A execução de uma acção de patrocínio na Internet pode tomar a forma de um banner, de um site ou mesmo de links. O patrocínio em causa aqui será de conteúdo, isto é, a informação relevante para o target que se pretende atingir. O anunciante tem a garantia que o utilizador vai encontrar referências destacadas ao seu site, produtos ou à própria marca.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Bancos mais orientados para os CLIENTES



Nicolas Guelman [1988] argumenta que “os clientes são a única fonte possível de recursos que os bancos necessitam para o seu negócio e devem ser considerados um fim e não apenas um meio”. No entanto, os bancos devem mudar a forma de actuação.

Os bancos devem deixar de estar orientados segundo uma estratégia de vendas, para começarem a preocupar-se com uma verdadeira estratégia de marketing que englobe as necessidades dos clientes, bem como a satisfação das suas expectativas.

Na realidade, o novo cliente bancário, por razões culturais, passou a ter consciência do seu poder de escolha e deixou de ser tão ingénuo face a falsas expectativas. De modo a atrair o interesse deste novo cliente, que é “bombardeado” regularmente com diversas e aliciantes ofertas, os bancos necessitam de adoptar um marketing avançado e criativo.

A prioridade será então fidelizar os actuais clientes e torná-los rentáveis ao mesmo tempo que se procura angariar outros.

Durante muitos anos houve a noção de que a aquisição e satisfação de novos clientes gerava naturalmente lucros. Embora isso possa ter sido verdade nos anos 60 e 70, presentemente, para Canto e Bouroche “a procura de novos clientes significa altos custos, que normalmente não podem ser amortizados apenas pela venda de produtos e serviços a estes novos clientes”.

Contudo, é no cliente que está a chave para se alcançar o sucesso pretendido.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Entrevista completa do Jornal Expresso

1. Quais são as medidas de marketing/comunicação que deverão ser tomadas, não só pelos bancos nacionais que podem ser afectados pela falência do Lehman Brothers, por terem produtos financeiros com fundos deste banco, como pelas instituições financeiras em geral, para evitar situações de pânico ou de corrida aos depósitos/investimentos por parte dos clientes?

Como sabe a nossa sociedade vive um problema de excesso de comunicação. E por vezes não é fácil a um banco conseguir que a mensagem esclarecedora se sobreponha a todos os impactos do excesso de comunicação. Para percebermos a dimensão das dificuldades, eu recordo que, segundo Jack Trout, nos últimos trinta anos produzimos mais informação que nos 5000 anteriores, qualquer jornal diário actual contém mais informação que um europeu médio do séc. XVII podia dispor durante toda a vida e publicam-se diariamente em todo o mundo mais de 4000 livros. Ora é neste contexto de uma nova era de informação que estes incidentes de falências de instituições financeiras ocorrem. Os bancos deverão estar muito bem preparados tecnicamente para perceberem e saberem esclarecer o alcance e os impactos desta situação e dizer sempre a verdade. Toda a verdade. E é nestas situações de dificuldade que um banco poderá fazer toda a diferença. Na gestão de todo o processo o banco deverá pautar-se por uma grande honestidade e humanidade, dando o máximo de atenção ao casos, e em especial aos clientes menos esclarecidos, não deixando que se torne num acontecimento jurídico ou financeiro. Situações de declarações contraditórias, com avanços e recuos, na ânsia de dizer alguma coisa, não é o caminho. Parece-me que a forma de actuação a considerar é a de informar e esclarecer o mercado. E se isso é feito apenas pelos meios tradicionais, nos tempos que correm é insuficiente. Para além das linhas telefónicas de apoio e a sensibilização que pode ser feita pelos colaboradores do front-office dos balcões, deverá ser aplicado um plano de contingência que preveja as novas formas de comunicação, social media. Meios correntes de Social Media incluem blogues, fóruns de discussão, podcasts, wikis e vblogues. No passado, existiu sempre um problema de falta de oportunidades disponíveis para que o consumidor pudesse exprimir a sua opinião (positiva ou negativa) … agora tudo mudou. O consumidor está no controlo e os bancos poderão apenas ficar a observar, perdendo-os pouco a pouco ou juntar-se a eles. Se um banco não o fizer, fica aqui o aviso, algum outro o fará. As duas palavras-chaves são: autenticidade e transparência com o objectivo final desejado: CONFIANÇA. Não é novo de facto, mas esta fase de “crise” pode ser uma excelente oportunidade para um banco “agarrar” aqueles clientes que já estão envolvidos com a sua marca, dando-lhes plenos poderes para se tornarem um verdadeiro opinion maker.



2. O que é que pode, ou deve, ser feito em termos de comunicação interna, nomeadamente junto dos colaboradores que estão a vender esses produtos financeiros?

A comunicação interna é cada vez mais uma área importante de actuação dos bancos, ainda mais em situações destas. Deverão ser promovidas reuniões de sensibilização e esclarecimento junto dos gerentes de balcão, que deverão desmultiplicar a informação através dos seus colaboradores directos, os gestores e comerciais. Não poderão haver dúvidas, pois é fundamental que no momento da verdade, quando o cliente reclama ou solicita informação, haja capacidade de resposta em tempo útil. Ao mesmo tempo, deverá ser criada uma área na intranet só dedicada a este tema e os colaboradores que estão no atendimento dos balcões deverão ter acesso a um chat interno onde possam aprofundar questões de difícil resposta, em tempo real, e a atender o cliente. Gostaria também de realçar a importância da formação comportamental. Os colaboradores deverão estar treinados a actuar em situações de crise e com clientes difíceis. Num sector, em fase de maturidade, sem grandes diferenças entres os produtos financeiros de cada banco, como a banca, o que fará a distinção é a qualidade de serviço. E isso só é possível com colaboradores que dominem, para além da componente técnica, a “arte de sedução” dos clientes. A base desta actuação deverá assentar na criação de novos processos internos, programas de motivação e valorização dos colaboradores. Estes deverão receber apoio da cultura do banco, da estrutura organizacional e da liderança. Quem trabalha neste sector sabe que o desafio é grande, pois a aceitação e a adopção de mudanças culturais e estruturais implica que os líderes, como por exemplo os gerentes e directores de zona, tenham como método de solução de problemas o princípio de cooperação e comunicação interna. Neste momento, é necessário um novo papel, com eficácia, através de uma estrutura organizacional solidária, baseada na delegação do poder e da iniciativa. Neste novo papel, o líder precisa de ser o modelo e o pivot da nova cultura organizacional. É quase como um processo de “realfabetização” e “reeducação”. Mas muito necessário…


3. De que forma é que o que está a passar com o Lehman pode afectar a imagem e a comunicação dos bancos, bem como a forma como as pessoas se relacionam com as instituições financeiras?

Penso que aqui não se poderá generalizar. Os bancos não muito afectados directamente, como a maioria dos bancos portugueses, não terão grandes impactos negativos na sua imagem. Os outros e porque poderá implicar efeitos negativos para os clientes, é inevitável que para além dos prejuízos financeiros, sejam afectados em termos de imagem. É normal que a atitude dos clientes seja mais apreensiva e em certos casos até mesmo de desespero. E neste aspecto poderá influir na relação destes com os bancos. Certamente, maior prudência haverá.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Exemplo para-olímpico




A vida foi feita para ser vivida e não para parar diante das dificuldades que aliás deverão servir para testar a nossa capacidade de reacção.

Nas últimas semanas a propósito da preparação para os jogos para-olímpicos temos assistido a um conjunto de reportagens dos atletas portugueses que impressionam pela capacidade de superação das dificuldades físicas e mentais. E, claramente, um factor distintivo destas atletas é a atitude, ou seja, a forma positiva como eles encaram a vida e o futuro. Você, por exemplo, que está a ler este texto eventualmente nunca viu o mundo que nos rodeia através de uma cadeira de rodas. Mas, mesmo assim, muitas vezes terá tido uma atitude negativa e pessimista em situações críticas da vida. Já pensou que há pessoas, como alguns destes atletas, que só conhecem o mundo que nos rodeia de uma cadeira de rodas e mesmo assim conseguem ter tantas vezes uma atitude positiva ? Qual será a razão ? Porque é que muitos de nós, aparentemente sem razões para tal, não a conseguimos ter de modo consistente ? Certamente haverá muitas respostas, mas parece-me que estas pessoas pensam que o mundo não pode ser hostil e deprimente. Têm confiança e encaram a realidade do mundo de frente. É como encontrar a chave de um baú que guarda algo muito valioso! Tem a ver com a vontade de fazer, de realizar, de superar, de comunicar, de transformar os sonhos em realidade. E como podemos constatar através do exemplo de vida destas atletas, ISTO É POSSÍVEL. Diria mais, é necessário para o bem da humanidade. Só depende de nós. Um dia de frio e chuva para uns pode ser belo, para outros depressivo. Uma crítica tanto pode ser bem aceite, como considerada insultuosa. Ou seja, a atitude poderá ter a ver com a percepção e a forma como interpretamos tudo aquilo que nos rodeia.

Há tempos estava a falar com um ex-aluno e ele lamentava-se que não o deixam, nem querem que ele faça as coisas acontecer na empresa onde trabalha. E eu perguntei como é que ele estava a reagir e ele respondeu “estou a ficar desanimado e deprimido”. Caro leitor, por tão pouco ? Isto passa-se com a maioria das pessoas, infelizmente. É a cultura de empresa “à portuguesa”. E eu sei também, que apesar de parecer insignificante, quando se está a passar por esta situação não é fácil “ser feliz”, como referia este ex-aluno. Mas é nestas situações, ou noutras ainda piores, que a atitude é importante. Já pensou que ninguém é dono da sua atitude? Ela é sua, depende da sua vontade, da sua força, é você que a controla, e não o seu chefe ou os seus amigos. Assuma a condução da sua vida, pessoal ou profissional, pois a vida odeia quem se deixa levar por ela: os deprimidos, os resignados, os apáticos, os abúlicos e os inseguros. A vida foi feita para ser vivida e não para parar diante das dificuldades. Aliás, estas deverão servir para testar a nossa capacidade de reacção. Já pensou que apesar de em certas situações não poder mudar os acontecimentos, não será que pode optar por reagir a eles ? E reaja bem. Crie uma estratégia para afastar os factores negativos do seu pensamento. Pense positivo, mesmo quando o mundo parecer estar contra si. Nestas férias quando lia alguns dos trabalhos de Elwood Chapman, achei especialmente interessante algumas sugestões aplicáveis à concretização de uma atitude mais positiva. 1) Dentro de determinados limites, aquilo que imaginamos na vida é o que temos; 2) Uma imagem pode ser uma profecia de auto-realização; 3) Para fazer que qualquer coisa de positivo aconteça, devemos realmente desejar o que imaginamos. Chapman acrescentava que “cada factor positivo do seu campo perceptivo pode ser posto em prática e realçado”.

Quantas pessoas nós conhecemos cheias de coisas belas, mas inúteis ? Temos que valorizar mais os “grandes valores” (onde será que eles andam?), como a lealdade, a humildade, a perseverança, a disciplina, a coragem de fazer escolhas autênticas, o amor-próprio e aos outros, o sentido de responsabilidade, a fé na palavra dada, a integridade, a capacidade de perdoar, a riqueza emotiva, a dignidade e abertura à mudança, entre outros. Pelo que vi, neste “campeonato” os nossos atletas para-olímpicos já ganharam. Que sirvam de exemplo para todos nós!

Publicado hoje no Diário Económico:

terça-feira, agosto 19, 2008

Cursos no ISGB





Inicia-se no próximo dia 14 de Outubro a 2ª edição do Curso de Pós-Graduação em Alta Performance nas Vendas e a 1ª edição do Curso de Pós-Graduação em Marketing & Banking Social Media do ISGB - Instituto Superior de Gestão Bancária.

A Pós-Graduação em Alta Performance nas Vendas constitui um desafio a todos quantos desejem desenvolver competências específicas na área Comportamental e de Vendas, enquanto que a Pós-Graduação em Alta Marketing & Banking Social Media testemunha o potencial das novas formas de comunicação na Banca e permite perceber que Social Media é uma nova forma de compreender e de estar no mercado, não é apenas mais um novo canal de comunicação.

A metodologia de funcionamento destes Cursos de Pós-Graduação dá especial destaque a matérias particularmente relevantes para o desenvolvimento de trabalho prático no Sector Financeiro, com a presença de reputados convidados, em formatos de Seminário, Mesa Redonda e Jantar, e de docentes especialistas que promoverão o desenvolvimento de um processo vivencial, baseado na experiência, no feedback e no auto desenvolvimento, das matérias em estudo.

É dada a devida importância a matérias de evolução recente, como sejam as modernas técnicas de inteligência emocional, vendas, banking social media, marketing e comunicação e os novos desafios para uma prestação de serviço de excelência.

Consulte já o detalhe, no seguinte link, e inscreva-se:

Curso de Pós-Graduação em Alta Performance nas Vendas - http://www.isgb.pt/Cursos/Pós-Graduação+em+Alta+Performance+nas+Vendas/Curso.htm

Curso de Pós-Graduação em Marketing & Banking Social Media - http://www.isgb.pt/Cursos/Pós-Graduação+em+Marketing+e+Banking+Social+Media/Pós-Graduação.htm

Pós-Graduação e Mestrado na Universidade Lusíada - Descontos para Sócios da APPM

ÚLTIMOS DIAS - INSCRIÇÕES







A creditação do curso dá acesso à elaboração da dissertação de mestrado em Gestão, especialidade de Marketing, para obtenção do Grau de Mestre*

No âmbito do Protocolo de Cooperação entre a Universidade Lusíada e a APPM, os Sócios da APPM poderão usufruir de um desconto de 10% no valor das propinas, condições especiais e exclusivas, no curso de Pós-Graduação em Marketing e Comunicação Empresarial (9ª edição).

Este curso, baseado no método do caso e sob a Direcção do Prof. Doutor Bruno Valverde Cota, é constituído por módulos teórico-práticos nas respectivas áreas temáticas.

Pretende-se assim obter sinergias entre o meio académico e o meio empresarial, consubstanciadas na integração no corpo docente de académicos orientados para responder com rigor científico às necessidades do mercado e profissionais com expertise adquirida no quadro da Gestão, Marketing, Comunicação, CRM e Estudos de Mercado.

Haverá a possibilidade de obtenção de estágios para os melhores alunos do curso nas empresas parceiras.

Para mais informações, poderá aceder ao site da Universidade Lusíada, ou contactar directamente a Secretaria de Mestrados da Universidade pelo telefone 21 361 1604/05/06/44 ou pelo ilpg@lis.ulusiada.pt.



* A analisar casuisticamente de acordo com a licenciatura.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Fernando Pessoa : Não sei quantas almas tenho


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

terça-feira, julho 29, 2008

Marketing bancário para jovens







"os bancos acreditam que uma vez que os indivíduos iniciem a sua relação financeira com determinada instituição mais cedo têm uma probabilidade superior de continuar a ser clientes desse banco no futuro. "

Se estivermos atentos à abordagem comercial dos principais bancos portugueses verificamos que se encontram a investir cada vez mais no marketing direccionado para o segmento das crianças, adolescentes e estudantes universitários. Mas porquê?

Com efeito, os bancos acreditam que uma vez que os indivíduos iniciem a sua relação financeira com determinada instituição mais cedo têm uma probabilidade superior de continuar a ser clientes desse banco no futuro. E, assim, praticamente todos os bancos oferecem contas para clientes com idades inferiores a 18 anos. Essas contas jovens são frequentemente contas "normais", mas que não têm nem comissões, nem imposições de saldo mínimo. Bancos mais inovadores oferecem também livros de banda desenhada, "newsletters" ou brinquedos direccionados para os mais jovens, assegurando que as ofertas distribuídas sejam divertidas, informativas e encorajadoras à poupança.

No que diz respeito ao segmento dos estudantes universitários muitos bancos oferecem pacotes de produtos e serviços que se baseiam no comportamento transaccional dos estudantes. Assim, estes pacotes garantem geralmente transacções grátis nos canais alternativos. Os bancos instalam ATM e postos de homebanking nos campus universitários, tirando partido da familiaridade dos estudantes com as tecnologias e com a utilização destes canais. Alguns bancos estabelecem acordos com as Universidades para a distribuição de cartões (smart cards) que integram funções como a identificação dos estudantes, cartão de biblioteca e cartões de acesso a edifícios da Universidade. Os bancos que oferecem este tipo de cartões registam geralmente taxas de penetração elevadas junto da população de estudantes universitários, como são os casos da CGD e BES. É também usual os bancos oferecerem pacotes que tenham em conta as necessidades de crédito dos estudantes universitários, como por exemplo produtos de crédito a taxas preferenciais e a isenção de pagamento de anuidade nos cartões de crédito. Já em mercados como o do Reino Unido os bancos tendem a oferecer opções especiais de descoberto, de modo a darem resposta às características de baixo rendimento e depósitos irregulares por parte dos estudantes universitários, prática não muito vista em Portugal.

Apesar dos esforços da banca portuguesa em investir no marketing para os segmentos mais jovens, só a longo prazo se poderá calcular a retenção e a rentabilidade destes clientes tendo em conta o esforço despendido. Neste âmbito, parece-me que só fará sentido um investimento forte neste segmento se houver uma estratégia que vise a fidelização após o término do curso.

Temos verificado que a maioria dos bancos criam campanhas através de mailings directos ou via telemarketing para reterem os clientes que terminam a licenciatura. Frequentemente essas campanhas contêm ofertas especiais relativas a outros produtos bancários, tais como os empréstimos para aquisição de automóvel e compra de casa. Mas será que estes procedimentos são eficazes? Quais são as principais preocupações de um estudante que termina o curso? É esta a meu ver a principal pergunta.

Em suma, os bancos que pretendam dinamizar as suas acções neste segmento terão de ter a plena consciência dos custos e benefícios que existem em captar os clientes enquanto jovens e de que esta estratégia só fará sentido se conseguirem manter fiéis estes clientes mesmo após a juventude.

No entanto, é de realçar que os bancos assinalam a importância da sua presença nas Universidades. Já que assim é porque não criarem uma comunidade virtual? Seria de facto uma oportunidade incrível para aprender e partilhar com estes clientes. Informação recolhida através do diálogo permitiria criar novos produtos e arquitectar novos serviços, aperfeiçoar produtos e/ou serviços existentes, bem como alterar a forma como a relação tem vindo a ser estabelecida. Permitiria angariar clientes como participantes activos com a marca bancária, providenciando conteúdos e resultados certamente relevantes. O seu banco está à espera de quê? O sucesso, e em especial neste segmento, continuará a depender de formas inovadoras de envolver o cliente bancário e recompensá-lo pela sua participação.


Artigo publicado hoje no Jornal de Negócios - 29/7/2008
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=325592

quinta-feira, julho 17, 2008

Viajar! Perder países!

Até Setembro, se Deus quiser. As férias do Blogue!

Contudo, deixo-vos bem... com Pessoa:


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa
20-9-1933

quarta-feira, julho 16, 2008

Os princípios de uma boa comunicação

Existem cinco princípios essenciais para se conseguir realizar uma boa comunicação.

Não querer dizer de mais
Este é um principio fundamental para que a comunicação seja boa, ou seja, quanto mais complexa for a mensagem transmitida, menos probabilidades tem de ser percebida. Portanto, quanto mais simples for a comunicação, mais eficaz é ela.
A repetição
É necessário repetir a mesma mensagem para que aumentem as hipóteses de prevalecer num universo extremamente concorrencial.

A continuidade e a duração
A repetição supõe que as acções de comunicação se desenvolvem na continuidade, isto pela mesma razão apresentada anteriormente.

A coerência global
A comunicação que uma empresa emite é geralmente muito diversa, por um lado pode dizer respeito a vários produtos diferentes, por outro utiliza um grande número de vectores como a publicidade, relações publicas, operações promocionais, etc. Torna-se necessário assegurar a coerência das mensagens emitidas, que devem ser convergentes ou complementares, mas nunca contraditórias.

A obrigação de verdade
Uma mensagem comunicada deve ser forte, ou seja, pode ser exagerada mas não pode ser completamente falsa. Ela deve respeitar a verdade do produto (performances essenciais), a verdade da empresa (identidade, cultura) e a verdade dos consumidores (adaptada às suas expectativas). Uma empresa que não respeite estas verdades, corre sérios riscos de se impor no mercado.

terça-feira, julho 15, 2008

Uma visão internacional do Marketing Bancário para Universitários

Numa altura onde têm sido publicadas algumas notícias pouco "abonatórias" sobre a abordagem dos bancos portugueses ao segmento universitário, parece-me oportuno fazermos uma "viagem" sobre as práticas utilizadas nos EUA. E se calhar encontramos algumas semelhanças...

De acordo com Kessler [1998] existem nos EUA mais de 14 milhões de estudantes universitários, com um poder de compra estimado de 90 mil milhões de dólares. Uma parte desse montante vem dos pais, mas cada vez uma maior parte vem de rendimentos do trabalho: cerca de 51% dos estudantes de quarto ano tem um emprego. Estes estudantes necessitam de outros serviços financeiros que não um cartão de crédito.

As instituições financeiras têm adoptado diversas formas de contactar os estudantes, tais como:

-Instalar bancas nos campus;
-Pôr panfletos de adesão à disposição dos estudantes;
-Usar telemarketing para os dormitórios dos estudantes;
-Colar Posters pelo campus;
-Publicitar os seus serviços em revistas e outras publicações dos campus;
-Utilizar a Internet como forma de chegar aos estudantes;
-Oferecer cartões de crédito;
-Disponibilizar caixas ATM nos campus;
-Fazer acordos que possibilitem programas de distribuição de smart cards.

Diversos autores apresentam exemplos de acordos entre bancos e instituições de Ensino Superior para a disponibilização de produtos e serviços financeiros (entre os quais temos [Memmelaar, 1990]). No que diz respeito especificamente a cartões-universidade (quer de débito, smart cards ou cartões de crédito), destacamos:

-Um acordo entre a Associação de Estudantes da Universidade de Carolina do Norte em Charlotte e o Banco America MBNA para a distribuição de um cartão de crédito aos estudantes [Martin, 1996];

-A criação de um cartão de débito multi-funções pelo Bank of América para a Universidade de São Francisco, que sirva simultaneamente como cartão de identificação da universidade e da biblioteca, que permita utilizar as ATM’s, bem como outros serviços no campus universitário [Security, 1996];

-Um acordo entre o Citibank com a Columbia University para a distribuição de cartões de identificação que funcionem também em ATM’s [Isidore, 1998];

-O Wachovia Corp. efectuou um acordo com a North Carolina University para a distribuição de cartões de identificação com funções bancárias [Souccar, 1999];

-O Huntington National Bank efectuou um acordo com a Universidade de Central Florida para a distribuição de cartões de identificação com funções bancárias [AB, 1999];

-Um acordo entre a University of Hawai’I e o banco MBNA [PRN, 1998] para o lançamento de um cartão de crédito que promova os campeonatos de beneficiência rainbow athletics;

-Um acordo entre a University of Ottawa e o banco MBNA [CNW, 1999] para o lançamento de um cartão de crédito;

-Um acordo entre o Guilford College e o banco First Union Corp. [Greensboro, 1997];

-Acordos relativamente a utilização de cartões bancários com outras funções no campus universitário (segurança, biblioteca e refeições) ou fora (pagamento de contas telefónicas, selos, cinema) abundam: Guilford College, Troy State University, University of Toronto, State University of NY-Cortland, Villanova University [Frank, 1998].

O principal problema apontado para este tipo de acordos, relativos a cartões-universidade reside no facto de estas iniciativas só serem rentáveis quando se atingir uma determinada massa crítica do mercado alvo [Martin, 1996].

Desde a década de 1980, que os estudantes universitários foram eleitos nos EUA como alvos para programas de cartões de crédito [Leander, 1995]. Na década de 1990, surge um novo tipo de cartões, os smart cards, que, para além de funções de identificação, permitem a utilização de funções bancárias e de pagamento dentro do campus (refeições, biblioteca, acessos de segurança, ATM’s e eventualmente uma função de crédito).

Até à época, as operações que envolviam cartões de crédito e de débito representavam cerca de 10% do total das transacções efectuadas por estudantes universitários. Pensa-se que a utilização dos smart cards leve a um aumento exponencial dessa percentagem.

Uma desvantagem deste tipo de cartões consiste no seu custo para o banco: a tecnologia empregue nos smart cards (inclusão de um chip electrónico no cartão) leva a que o seu custo unitário se encontre entre 3 e 16 dólares, enquanto que um cartão com banda magnética custa ao banco cerca de 50 cêntimos (em dólares).

Todavia, esse custo pode vir a diminuir com o preço a longo prazo da produção de chips e pode ser compensado com a imposição de uma taxa de utilização do cartão aos lojistas fora dos campus. A grande vantagem reside na capacidade de armazenamento de informação.

Com a multiplicação de acordos com as universidades e nomeadamente com a proliferação de acordos que garantiam a exclusividade de actuação em determinadas universidades para certos bancos, as tensões e a competitividade entre instituições bancárias aumentaram.

Nos estados da California e Minnesota, por exemplo, alguns bancos queixaram-se oficialmente da imposição de exclusividade dos acordos de fornecimento de cartões para as universidades que os seus congéneres efectuaram [Arndofer, 1995].

Por outro lado, paralelamente a tentar angariar novos clientes universitários, especificamente adquirindo cartões de crédito, as instituições financeiras tiveram necessidade de lançar programas para ajudar os estudantes a gerirem as suas dívidas, numa tentativa de controlar o crédito mal-parado [Souccar, 1999].

Um estudo da Advisory Board Company [ABC, Abril 1996] analisa esse produto habitualmente oferecido aos estudantes universitários norte-americanos: o cartão de crédito.

O estudante universitário é visto habitualmente integrando um segmento de risco para as instituições que lhe disponibilizam cartões de crédito. Com efeito, os estudantes universitários geralmente não têm um emprego fixo a tempo inteiro, não têm activos, nem um historial de crédito, nem meios de se sustentarem sozinhos.

Todavia, este estudo da Advisory Board Company vem mostrar o contrário: o segmento dos estudantes universitários paga habitualmente as suas contas a horas, evita incumprimentos e tende a permanecer fiel à instituição que lhe ofereceu o seu primeiro cartão de crédito (entre 10 e 15 anos). Estima-se que cerca de 97% dos estudantes norte-americanos cumprem as suas obrigações de pagamento, evitam incumprimentos e que cerca de 55% pagam integralmente os montantes em dívida mensalmente.

Para além dos smart cards e dos cartões de crédito, as instituições financeiras têm recorrido a outro tipo de produtos para tentar captar clientes no segmento dos estudantes universitários. Destacamos os seguintes produtos e serviços:

-O Royal Bank lançou um novo produto para estudantes universitários: um pacote de produtos financeiros que incluí por um pequeno montante mensal um número fixo de transferências bancárias, um seguro sobre o cartão de cliente, acesso aos serviços de banca telefónica e banca Internet e um cartão de crédito [CNW, 1998];

-Um exemplo de aproveitamento de um artigo existente para promoção [BMA, 1996]: Usualmente a caixa Good Stuff é distribuída em cerca de 600 universidades norte-americanas com artigos promocionais relativos a lavandarias, produtos de higiene ou refrigerantes. Em 1996 incluiu também brochuras promocionais de bancos, como forma de chegar eficazmente ao segmento universitário;

-O First Union lançou um novo produto para estudantes universitários [Cline, 1990]: um pacote de produtos financeiros que utilização grátis de ATM’s, duas contas bancárias, uma carteira de cheques, um cartão de crédito VISA sem anuidade e com um plafond anual de 800 dólares e um seguro de vida de mil dólares. Com autorização dos pais, pode ainda incluir transferências automáticas de uma conta dos pais no First Union. Oferecem ainda por quase 20 dólares uma cassete de vídeo sobre como pagar a universidade (tópicos de ajuda financeira, bolsas, empréstimos estatais e estratégias de investimento);

-O Bank of América [BW, 24 e 30 de Agosto 1999], o Bank One [PRN, 1999] e introduziu ferramentas online para estudantes universitários;

-Os dois bancos dominantes de Columbus – Huntington National Bank e Bank One - fizeram cada um acordo de patrocínio das equipas de futebol americano das duas universidades locais rivais, respectivamente da Ohio State University e University of Michigan [Buchanan, 1999].

Um outro estudo da Advisory Board Company [ABC, Outubro 1994] analisa pacotes oferecidos ao mercado dos estudantes universitários por cinco bancos norte-americanos.

Em relação ao serviço de clientes, as instituições analisadas disponibilizam informação sobre os seus pacotes para o segmento universitário através dos seus representantes do serviço ao cliente, quer via telefone, quer via balcões. Os pacotes contêm geralmente cartões de crédito e contas à ordem, bem como cartões de débito e acesso grátis a ATM’s dentro do território norte-americano.

Quanto à forma como asseguram a manutenção dos clientes após a saída da universidade, o estudo da Advisory Board Company [ABC, Outubro 1994] verifica que a maioria dos bancos analisados utiliza mailings directos para reter os clientes que terminam a sua licenciatura. Frequentemente esses mailings contêm ofertas especiais relativas a outros produtos bancários, tais como os empréstimos para aquisição de automóvel, com vista a reter o cliente e aprofundar o seu relacionamento. Os bancos em análise não conseguiam ainda determinar a eficácia destes procedimentos, visto terem sido implementados recentemente à data do estudo. Um dos bancos estudados afirmou que um meio mais agressivo como o telemarketing será mais eficaz na retenção de clientes quando estes começarem a receber um rendimento e se tornem clientes rentáveis.

Os meios mais frequentemente utilizados pelos bancos para publicitar os seus produtos e serviços incluem a utilização de revistas e jornais universitários e locais, bem como a instalação de quiosques ou bancadas promocionais durante eventos universitários (como a chegada dos caloiros). Um dos bancos estudados estabeleceu acordos com negócios locais, como restaurantes, por exemplo, no sentido de oferecer refeições grátis. Outro dos bancos em análise utiliza só pessoal em part-time para promover os serviços bancários aos estudantes, pelo facto da maioria das contas dos estudantes serem abertas num determinado período de quatro meses por ano.

Finalmente, um dos bancos em estudo oferece um cartão de crédito como único produto direccionado para estudantes universitários, enquanto que as restantes instituições tendem a focar mais a importância das contas bancárias incluídas no pacote universitário [ABC, Outubro 1994].

Um outro estudo da Advisory Board Company [ABC, Setembro 1995] analisa pacotes oferecidos ao mercado dos recém-licenciados em cinco bancos norte-americanos.

Muitas instituições desenvolvem produtos e serviços sofisticados, direccionados para os estudantes universitários, mas depois não acompanham os clientes na saída da universidade, não lhes oferecem outros serviços e produtos direccionados agora para recém-licenciados. Assim, frequentemente essas instituições são incapazes de reter os clientes uma vez terminada a licenciatura.

Ora, os bancos que pretendam dinamizar as suas acções neste segmento terão de ter a plena consciência dos custos e benefícios que existem em captar os clientes enquanto jovens e de que esta estratégia só fará sentido se conseguirem manter fiéis estes clientes mesmo após a juventude.

Todavia, mesmo os bancos que são analisados neste estudo da Advisory Board Company [ABC, Setembro 1995] não oferecem pacotes especialmente concebidos para o grupo dos recém-licenciados. Uma das instituições analisadas oferece aos seus clientes com idades dos 18 aos 30 anos a possibilidade de ter acesso a determinados produtos especiais. Outro banco tem uma conta concebida especialmente para advogados e médicos, incluindo aqueles que terminaram recentemente os seus estágios. As restantes instituições oferecem condições que agradarão provavelmente ao segmento jovem como a não imposição de um saldo mínimo anual ou de uma anuidade do cartão de crédito.

A Advisory Board Company efectuou também um estudo com base na análise de sete instituições bancárias [ABC, Junho 1997] que indica que apesar dos balcões nos campus universitários constituírem uma forma de obter novos clientes durante a duração da licenciatura dos estudantes, não garantem a continuação da relação licenciado-banco. Com efeito, o facto de grande parte dos estudantes serem deslocados nas universidades dos EUA, leva a que quando terminam as suas licenciaturas voltem a deslocar-se e, consequentemente, a não manter a sua relação com o banco. Assim, o investimento numa relação com estudantes universitários trará mais frutos a um banco que opere a nível nacional que a um banco mais pequeno que opere só na zona em que se encontra a universidade.

No entanto, os bancos assinalam a importância da sua presença nas universidades, quer via a disponibilização de cartões-universidade, quer via patrocínio de eventos, por exemplo. Assim, a relação do banco com a universidade permite aos bancos a venda de produtos e serviços aos membros da universidade de forma mais eficaz.

segunda-feira, julho 14, 2008

Homens Maduros: um segmento com potencial?


Ao que parece os tempos são de mudança! Segundo um estudo recente da “J.C. Penney Co.”, publicado, no passado mês de Dezembro, no “The Wall Street Journal”, em 2006, 70% das compras de roupa masculina efectuadas nas suas lojas foram feitas por Homens. De certo modo, estes resultados contrariam os estudos que até então indicavam que eram as mulheres que efectuavam a maioria destas compras. Se analisarmos as pesquisas aos consumidores, de um modo geral, estão centradas no “cliente feminino” e, mais recentemente, nos “homens jovens” e nos chamados “metrosexuais”.

Todavia, só em Portugal, segundo o INE (dados de 2005), temos ca. 1,6 milhões de homens, com idade entre os 40 e os 64 anos, o que representa 15,5% da população Portuguesa. Recordo também que os “homens maduros”, com idade superior a 50 anos, são normalmente pessoas que já não têm grandes obrigações financeiras, sem hipotecas, sem despesas com a educação de filhos, sendo clientes com um grande potencial. Mas, porque será que não são desenvolvidas campanhas específicas para este segmento? Terão caído no esquecimento? Bem, apesar de actualmente haver uma maior preocupação com o desenvolvimento de produtos nas áreas da saúde, beleza e moda, a meu ver, a motivação para as compras masculinas continua a estar largamente por explorar pelos grandes actores do mundo do “consumo”, tal como lojas, centros comerciais e supermercados.

Eu sei… temos que entender que o estilo de compras do “homem maduro” envolve compras rápidas e o “shopping around” é para eles uma perca de tempo. Normalmente, são consumidores que sabem o que querem comprar e por isso “vão directos” ao que pretendem, sem desperdiçar tempo. Todavia, é para mim evidente que este segmento não aprecia a experiência de fazer compras que lhe é presentemente oferecida. Mas será que é razão suficiente para serem “esquecidos” e as suas necessidades ignoradas?

Em Tóquio, a loja “Isetan”, alterou a disposição dos seus produtos para “homens maduros”. Criou áreas por tipo de produtos, em vez da disposição por marcas, criou um único local para os acessórios e tem um piso dedicado exclusivamente aos produtos cosméticos masculinos. Depois desta remodelação, as vendas aumentaram 30% face ao período homólogo. Eventualmente, os homens maduros dão mais importância ao tipo de produto e menos à marca, preferindo também uma disposição funcional das lojas, de forma a reduzir o tempo de procura.

Alguns sectores retalhistas já começaram a cativar a atenção deste segmento, nomeadamente nas áreas da saúde, lazer, electrónica e serviços financeiros, onde existem algumas estratégias definidas e bem direccionadas para estes consumidores. Também, algumas marcas de automóveis, como a Mercedes, BMW e Cadilac, possuem modelos de carros alinhados com este segmento: carros de alta cilindrada, que transmitem conforto, segurança, sofisticação e, ao mesmo tempo, um pouco de “aventura”.

Todavia, parece-me que sectores como a moda, cosméticos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, revistas, telemóveis, entre outros, poderão encontrar neste segmento boas oportunidades de desenvolvimento do negócio. Para isso, é fundamental um conhecimento mais aprofundado: conhecer as suas necessidades e os seus gostos. É tempo para analisar e actuar. Ficamos a aguardar programas de marketing inovadores para o segmento de “homens maduros”.

Artigo publicado no Jornal de Negócios (11-01-2007)