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terça-feira, agosto 22, 2006

Necessidade de Mudança da Organização Universitária - Parte I

Como é sabido Veiga Simão defende que há que reestruturar e modernizar o sistema de ensino superior para responder aos grandes desafios que se lhe deparam, nomeadamente o desafio estratégico da União Europeia, o desafio da competitividade das nações e preservação da soberania do conhecimento. O desafio global só pode ser vencido com sucesso se a qualidade e a excelência no desempenho das instituições forem garantidas e incentivadas. O papel a desempenhar pelo Ensino Superior neste desafio está associado à criação e à aplicação do saber, à qualificação das pessoas e a novos conceitos de aprendizagem ao longo da vida [Veiga Simão et al, 2002].

No ensino público, Veiga Simão et al propõem uma organização institucional e um governo académico que visem o aprofundamento das autonomias universitária e politécnica e a adopção de novos modelos de governo institucionais. O governo deve criar uma nova lei da autonomia que permita novos e diversos modelos de governo universitário, de forma integrada, sem burocracias e num quadro de flexibilidade. A universidade deve organizar-se por forma a evitar distorções corporativas e a existência de “nichos de poder” que imponham vontades arbitrárias, sem fundamentação.

Os modelos de poder possíveis devem oscilar entre o designado por modelo anglo-saxónico (dominado por boards of trustees) e o modelo napoleónico-latino de feição mais corporativa e estatizante, devidamente adaptados aos desafios da qualidade e competitividade entre nações. A existência de boards of trustees permite, nomeadamente, manter um elevado grau de poder intramuros, mas com uma representatividade, capacidade de influência e responsabilidade maiores por parte da sociedade.

Veiga Simão et al [2002] defendem também, ainda no que respeita ao ensino superior público, que deve ser concedida às instituições politécnicas públicas uma autonomia idêntica à das universidades públicas. O princípio orientador do funcionamento do ensino politécnico deverá apontar para uma forte associação ao tecido económico e empresarial e ao desenvolvimento regional.

No âmbito da relação entre autonomia das instituições públicas do ensino superior e financiamento público, Veiga Simão et al [2002] indicam como princípios básicos em que devem assentar os critérios de financiamento, o princípio da objectividade e transparência, o princípio da contratualização e o princípio da responsabilização, da racionalidade e da eficiência na utilização de recursos.
Os critérios de financiamento deverão ter em conta:

- Métodos diversos de medida de desempenho;

- O papel da investigação e da pós-graduação, assegurando um suporte da investigação ao ensino em todas as áreas de leccionação, mas também tendo em conta a priorização de áreas de excelência;

- Programas específicos como os de incentivo à inovação do ensino (e-learning, ensino flexível que concilie ensino presencial com ensino à distância, projectos de cooperação entre instituições);

- A qualidade da gestão, premiando a boa gestão, num contexto de racionalização e de eliminação de desperdícios.

No que respeita ao relacionamento do Estado com as instituições privadas e com a Universidade Católica Portuguesa (UCP), as propostas incidem sobre os deveres e direitos tanto do Estado como da Instituição do ensino superior e a respectiva entidade titular.

Há que definir critérios para, quanto à entidade titular, reconhecer a sua idoneidade, a sua capacidade em satisfazer os requisitos para criação, reconhecimento oficial e funcionamento de um estabelecimento do ensino superior e para respeitar os parâmetros de flexibilidade e autonomia na universidade ou instituto politécnico privados.

Há que aprofundar a integração no sistema de avaliação, assegurando que os indicadores calculados sejam universalmente aceites e idênticos aos dos estabelecimentos públicos.

Finalmente há que dinamizar um regime de incentivos à qualidade e adoptar esquemas de bolsas de mérito que permitam ao estudante a livre escolha da instituição que desejam frequentar.

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Bibliografia:

ALVES, H. (2000). “As dimensões da qualidade no serviço Educação. Uma percepção dos alunos da Universidade da Beira Interior”, Revista Portuguesa de Gestão nº 4-Outono 2000, Ano 15, Série III, INDEG-ISCTE (Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa).

ALVES, H. (1998). O marketing das instituições de ensino superior: o caso da Universidade da Beira Interior. Dissertação de Mestrado em Gestão, UBI – Departamento de Gestão e Economia.

ALVES, H. e Raposo, M. (1999). “O Marketing nas Universidades: um estudo exploratório sobre a satisfação dos alunos como clientes no Ensino Superior”, Revista Portuguesa de Marketing nº 8, Ano 3, IPAM-Instituto Português de Administração de Marketing.

CALDEIRA, R. (2000). Projecto Educativo: Marketing e Gestão Estratégica da Informação – Um estudo de caso, Tese de Mestrado em Ciências da Educação, área de Gestão Educacional. Instituto de Educação da Universidade Católica Portuguesa.

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CIPES–Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (1999). Estudo do CIPES. Fundação das Universidades Portuguesas.

CONCEIÇÃO, P., Durão, D., Heitor, M., Santos, F. (1998). Novas ideias para a Universidade. IST Press (Instituto Superior Técnico).

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M. (1999). “On the role of the university in the knowledge economy”, Journal Science and Public Policy.

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M. (1999). “Re-examining the role of european universities in the learning economy: Prospects for organizational diversification, multidisciplinary approaches, and changes toward the sustainable development”, Paper prepared for the European Socio-Economic Research Conference.

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M. (1999). “Universities in the learning economy: Balancing Institutional Integrity with Organizational Diversity”, Paper prepared for the European Socio-Economic Research Conference.

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M. (1999). University-based entrepreneurship and economic development: a learning-centered model, Research Policy.
CONCEIÇÃO, P., Heitor, M. (2000). “Towards sustainable universities: Challenges for engineering education in the learning economy”, Paper submitted for publication in Science and Public Policy.

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M., Gibon, D., Shariq, S. (1997). The emerging importance of knowledge for development: implications for technology policy and innovation.

CONCEIÇÃO, P., Heitor, M., Santos, F. (2000). “A Universidade na Sociedade do Conhecimento em Portugal”, Revista Portuguesa de Gestão nº 4-Outono 2000, Ano 15, Série III, INDEG-ISCTE (Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa).

FAUSTINO, R. (1994). Alianças estratégicas na banca portuguesa. Tese de mestrado em Gestão, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão – Universidade Técnica de Lisboa).

GRILLO, A. (2000). “Gestão Universitária: um desafio para os países do Mercosul”, Revista Portuguesa de Gestão nº 2-Primavera 2000, Ano 15, Série III, INDEG-ISCTE (Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa).

HEITOR, M. (2000). “O Desenvolvimento Científico e Tecnológico Português e a Reforma da Universidade”, Contributo para discussão.

MARQUES, J. (1998). A cooperação Universidade-Indústria e a inovação científica e tecnológica: o caso da Universidade de Coimbra. Livraria Almedina – Coimbra.

NEGAS, M. (1997). A investigação universitária e a gestão de um centro de investigação. Tese de Mestrado em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão – Universidade Técnica de Lisboa).

OCDE (1997). Thematic review of the transition from initial education to working life – Portugal background report.

RAPOSO, M., Alves, H., Silva, M. (2000). O Marketing das universidades: uma análise ao processo de escolha de uma universidade pelos alunos. Departamento de Gestão e Economia – Universidade da Beira Interior.

RODRIGUES, P. (1996). Modelos de estrutura universitária (Política governamental e iniciativa privada em Portugal - Estudo de caso). Tese de Mestrado em Sistemas Sócio-Organizacionais da Actividade Económica – Área de Especialização em Sociologia da Empresa, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão – Universidade Técnica de Lisboa).

SANTOS, F. (1997). A organização e gestão das universidades: Aplicação ao Ensino Superior Público Português. Tese de Mestrado em Gestão e Estratégia Industrial, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão – Universidade Técnica de Lisboa).

VEIGA SIMÃO, J., Santos, S., Costa, A. (2002). Ensino Superior: Uma visão para a próxima década. Gradiva.

segunda-feira, agosto 21, 2006

De regresso...

Após um curto período de férias estou de regresso. Que difícil ... com tantas noticias de guerras, terrorismo, incêndios, Simão Sabrosa ... que cansativo. Valeu-nos uma luz chamada Obikwelu. Parabéns!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Conselhos sobre segurança ao enviar e-mails

Hoje deixo-vos alguns conselhos sobre "segurança no envio de e-mails" de um amigo e ex-aluno: António Vale.

Quando se enviam e-mails, o Destinatário pode ser especificado em três locais:

1) To: Destinatários principais

2) Cc (carbon copy): Destinatários que apenas devem ter conhecimento da mensagem

3) Bcc (Blind carbon copy): Outros destinatários

Para mais informação ver:
http://en.wikipedia.org/wiki/Blind_Carbon_Copy

A diferença entre estas opções é que quem recebe a mensagem vê os endereços que estiverem em TO e em CC, mas não vê os que estiverem em BCC.

Em termos práticos, e com vistas à SEGURANÇA PESSOAL e à efectiva PROTECÇÃO DE DADOS PESSOAIS dos vossos computadores devem, quando enviam e-mails baseado em mailing list, especificar sempre os endereços em BCC.

Desta forma, se um dos computadores onde as mensagens forem lidas tiver algum vírus ou outro “malware” que explora as “address books” dos clientes de mail, ele ficará impedido de enviar os dados pessoais (incluindo TODOS os endereços de mail desse computador) a servidores maliciosos, que depois inundarão toda a gente com SPAM, muitas vezes sem possibilidade de remoção.

Além disso, outros cuidados a ter:

1) Implementar um alto nível de detecção de JUNK MAIL nos clientes de mail. Poderão eventualmente apanhar alguns “falsos positivos”, mas de certeza que filtram muito “lixo real”.

2) Ter um software de detecção de “malware” como o próprio WINDOWS DEFENDER da Microsoft, ou outros (há muitos, é só procurar), por forma a impedir que, ao visitar um site daqueles que incitam a clicar aqui ou ali para “ver uma coisa gira”, fiquem com um “troiano” instalado que depois envia para servidores maliciosos O VOSSO CARTAO VISA, DADOS PESSOAIS, etc.

3) Ter um anti-virus BOM e PERMANENTEMENTE ACTUALIZADO, de preferência um que leia o mail que vai chegando, filtrando assim e logo de início mensagens que possam trazer vírus (ex. Norton, McAfee, etc.) e não deixando enviar ficheiros contaminados, protegendo também os outros.

4) Ter um FIREWALL (da Empresa ou Pessoal) no PC, de forma a impedir conexões externas não desejadas. Muitos ficariam surpresos se conseguissem ver o número e frequência de tentativas de entrada nos vossos PC assim que se ligam à Net. Sem um firewall, muitas delas terão êxito, e os vossos DADOS PESSOAIS ficam imediatamente COMPROMETIDOS, a começar pelo cartão de crédito.

5) Para quem acede à Net do seu local de trabalho, não pense por isso que está mais seguro, só porque “a Empresa tem uma política de segurança estrita”. Essa política aplica-se aos acessos de e para o exterior, mas certamente NÃO CONTROLA O TRÁFEGO DENTRO DELA PRÓPRIA, pelo que se alguém ao seu lado tiver um vírus e/ou tentar entrar no seu PC, é bem provável que consiga.

6) Por falar em cartão de crédito, ter muito cuidado com as transacções efectuadas (não a fazer em toda e qualquer Empresa).

7) Verificar que, ao fazer um pagamento, ou especificar os vossos dados pessoais para contacto, existe a possibilidade de NÃO PERMITIR A SUA DIVULGAÇÃO (por defeito, normalmente permitem).

8) Se os vossos “settings” de segurança, entre o cliente de mail e o anti-virus, não apagarem automaticamente os “attachments” EXECUTÁVEIS, apagar imediatamente essas mensagens, que dizem algo como “executa este programa, é muito engraçado”, MESMO QUE VENHAM DE FONTES FIDEDIGNAS. Devido ao comprometimento possível dos dados pessoais de outras pessoas, é bem possível que essa mensagem não tenha sido realmente enviada por quem está no “remetente”.

9) Para aqueles que têm páginas pessoais ou BLOGs, se for possível, não escrevam correctamente o vosso mail. Existe software especial que corre as páginas HTML e delas retira os links que forem reconhecidos como links para enviar mail. Por exemplo:

a) Em vez de FALA.COMIGO@COLDMAIL.COM

b) Escreva FALA . COMIGO @ COLDMAIL . COM

O segundo nome, ao ter espaços a mais, deixa de ser um link válido e, portanto, deixa de ser reconhecível como tal

Quem vos quiser contactar abrir o seu cliente de mail e escrever manualmente o endereço em vez de clicar no link...

Para já, é só, embora pudesse haver mais a dizer.

Relembro que a Instituição onde trabalho tem, também, uma política de segurança, um anti-virus corporativo, e vários firewalls, o que não impossibilita de terem:

1) Firewall com alto nível de restrição de tráfego

2) Anti-virus com detecção de junk mail, spyware e filtragem on-line de vírus no mail

3) Anti-spyware da Microsoft

4) Outros…


Com cumprimentos,

António Vale

segunda-feira, julho 31, 2006

O Maricas do "Jardim sempre em Festa"

Segundo parece a Madeira esteve em Festa. É verdade, o grande evento, a festa anual do PSD foi mais uma vez um grande "sucesso"!

No domingo, Jardim foi aplaudido pelos muitos milhares de pessoas que se concentravam no planalto do Chão da Lagoa, nas serras do Poiso.

Como ingredientes tivemos um Jardim cantor, a chamar o primeiro ministro de Maricas, enfim um verdadeiro “Salvador da Pátria”.

Mais uma vez confirmámos que o Alberto João é um verdadeiro artista, imparável, contra uma oposição medíocre, sem capacidade de resistir aos argumentos do populismo que constrói obra. Sim, parece-me indiscutível o progresso da Madeira nos últimos 30 anos e a visão estratégica do Senhor Jardim em relação ao caminho seguido, mas o estilo adoptado e a impunidade permitida nas acusações e no discurso são claramente sintomas de uma democracia fraca, oca, a precisar rapidamente de mudanças e de sangue novo.

E se olharmos para o Continente o que temos. Temos um Portugal desiludido, um Portugal sem festa (excepção seja feita com a Selecção, mas o mérito é de um brasileiro), pessoas sem esperança, um sentimento de negativismo generalizado e de resignação ao status quo vigente.

Onde estão os Portugueses que conquistaram o "mundo"? Onde estão os empreendedores, os criativos, os cérebros que o mundo reconhece ? Aqueles que não aguentam a mediania emigraram, outros cristalizaram e alguns –poucos-, vão tentando caminhar e lutar contra uma política de QI (quem indica) que leva o nosso País e as nossas empresas a terem que ter um esforço "paranormal" para conseguirem aproximar-se de alguma representatividade na UE e no mundo.

Temos dois exemplos extremos: a Madeira de um Jardim insolente e malcriado, mas a crescer e com qualidade nos serviços prestados, em especial no Turismo, e um Continente de sucessivos governos "cinzentões", sem festa e sem brilho, "complicadex", muito longe do Sonho de Sá Carneiro.

Entre os dois, a escolha tem sido sempre nossa. Tudo isto se passa com a permissão de um povo que rapidamente tem que começar a sonhar, a acreditar e a construir obra. A burocracia e a inveja, os piores males da nossa sociedade, terão que ser substituídos pela competência, pela criatividade e pela acção. Acreditemos em Portugal e nos Portugueses.

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Bruno Valverde Cota, Doutorado em Gestão de Empresas.

quinta-feira, julho 27, 2006

Borges, A

António Borges tem-se revelado, com frequência, incomodado. [...] Gostaria de o ver com mais entusiasmo em servir o país – ser competente só, não chega.

Tiago Mendes in DE

António Borges quer voltar para Portugal. Entre outras coisas, porque “quando se está em Portugal há uma alegria de viver diferente” – revelava o social-democrata há 20 meses (Expresso, 06-11-2004). Doutorado em Standford, ex-Dean do INSEAD, ‘vice-president’ da Goldman Sachs, Borges tem um currículo ímpar. As suas qualidades intelectuais e competência profissional são indisputáveis. Revejo-me na sua intolerância à mediocridade. Depois, vêm as divergências.

Borges lembrava que a importância da democracia está em “corrigir os erros”, acrescentando que “Não há melhor regime do que a ditadura iluminada. Se houvesse um príncipe perfeito conseguiríamos maravilhas do país. Veja-se o caso de Singapura. Ou Portugal no tempo de D. João II”. Certo? Certíssimo. E útil, porventura, para interpretar uma recente declaração sua: “Após o Congresso manifestei a minha disponibilidade para trabalhar e trazer uma equipa do melhor que há em Portugal, mas o dr. Mendes não quis”.

Borges tem-se revelado, com frequência, injustiçado e incomodado. A sua postura reclama Pessoa: “A vaidade é a confiança no efeito do nosso valor, o orgulho a confiança em que temos valor. Compreendo que um homem seja orgulhoso; não compreendo que mostre sê-lo”. De pouco vale invocar a parca popularidade tida no país ou o carisma político por provar. O seu raciocínio, como o de qualquer “príncipe perfeito”, é simples: ele tem mérito, ele é “superior”, mas ele não tem poder. Logo, contradição.

Assumido cumpridor da ética católica na sua vida profissional e pessoal – “não roubar ou ser corrupto, ser minimamente leal ou solidário” –, Borges confina o pagamento de impostos à esfera da lei. Fazendo um paralelo entre a fuga ao fisco e o cumprimento do limite de velocidade nas estradas – onde “toda a gente transgride” e “quando se é apanhado e multado se acha que é uma injustiça tremenda”–, Borges revela ter tido uma “certa dificuldade em pagar a sisa correcta”, acrescentando que “porque ninguém paga”, o “incumprimento da lei torna-se mais desculpável” e “impossível de combater”. Sem querer extrapolar das declarações feitas, parece-me haver algo de inegável: a resignação perante um grave problema em Portugal. E resignação não quadra com liderança política.

Borges acrescentava, ainda, que “na política não se ganha literalmente nada”, lamentando-se que, como ministro, ganharia menos de 20 vezes o seu ordenado base, fora a parte variável. Subscrevo a revisão dos salários dos políticos e não comento o que é ganho legalmente e com mérito. Apenas gostaria de ver em Borges mais entusiasmo em servir o país. Ser competente é bom, só que não chega. A vaidade, ainda se tolera. Mas quando o espírito de liderança e a vontade de dedicação à causa pública são titubeantes, é forçoso dizer não, obrigado.
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Tiago Mendes, Doutorando e tutor em Economia na Universidade de Oxford

terça-feira, julho 25, 2006

Entrevista com Bruno Valverde Cota.

"Para os bancos a qualidade dos Recursos Humanos é, seguramente, factor de diferenciação"



Como é trabalhar na área de Recursos Humanos de uma entidade bancária?É um verdadeiro desafio! Em especial, quando se trabalha numa área de Formação e Desenvolvimento de Competências de uma instituição centenária que actua num dos sectores que nos últimos anos sofreu profundas transformações. Mas muito gratificante, pois pelas características do sector bancário, a Formação revela-se de extrema importância para apoio e reforço das competências de todos os recursos humanos e, ainda mais, daqueles que desempenham a sua actividade na área comercial.

Qual a importância dos Recursos Humanos no negócio bancário?
Os bancos são o reflexo das pessoas que as constituem. Assim, torna-se evidente a importância do Capital Humano numa organização competitiva e moderna. Ora, para os bancos a qualidade dos recursos humanos é, seguramente, factor de diferenciação.
Adicionalmente, é fundamental que toda a organização conheça a estratégia do banco e a importância do papel de cada um para a consecução dos objectivos. Potenciar o desenvolvimento profissional e pessoal, conciliando os interesses do grupo com os interesses individuais, fomentar o trabalho em equipa, estimulando a iniciativa e a tomada de decisões individuais, são factores determinantes na consolidação do “compromisso” que fortalece a equipa e assegura o êxito do banco no futuro.

Existe algum perfil tipo?
Ser pró-activo e antecipar as expectativas dos clientes internos e externos. A meu ver são necessárias características específicas a um desempenho pró-activo. Os colaboradores deverão ter uma elevada auto estima e acreditar fortemente nas suas capacidades. A capacidade de com facilidade e rapidez encontrar soluções para diferentes questões que o cliente coloca são essenciais, pois não é compreensível que se aguarde pela resolução dos problemas, há que executar as tarefas conducentes a um serviço eficiente.
Em paralelo, um colaborador pró-activo procura manter-se actualizado, deste modo a formação oferecida pelos bancos pode e deve ser complementada por auto-formação. Um bom domínio dos processos inerentes ao serviço prestado é também essencial, o que permite a segurança e consistência no contacto com o cliente.
Em suma, numa equipa de trabalho há quem tenha mais experiência ou mais agilidade na resolução de problemas, caberá a cada colaborador procurar sempre a adaptação, integração e boa relação com os restantes colegas e clientes assumindo sempre uma atitude humilde e pedagógica.

Qual a sua opinião sobre a Gestão de Recursos Humanos praticada em Portugal?
Temos bons Gestores de Recursos Humanos. E as Escolas deverão ter um papel mais activo para que no futuro possamos ter muitos mais. Eu nas minhas aulas e nos cursos que dirijo procuro dar o meu modesto contributo.

É já há alguns anos Director-Científico de várias Pós-Graduações da Universidade Lusíada de Lisboa, onde é também docente em algumas cadeiras. Como foi abraçar esse desafio?
Surgiu de forma natural. Em meados da década de 90, eu senti que nas organizações e empresas existiam algumas necessidades de formação avançada nas áreas do Marketing e da Comunicação e, na altura, a Universidade Lusíada disponibilizou-se para materializar algumas destas ideias.
Após estes anos, posso dizer que tem sido um desafio muito enriquecedor, quer pela heterogeneidade de contactos e projectos que possibilita, quer por sentir o elevado grau de satisfação dos nossos alunos que vêem naqueles cursos um meio de grande utilidade para aumentarem as suas competências, bem como de mais facilmente atingirem os seus objectivos profissionais.
Eu diria que o estudo de casos reais e actuais, um corpo docente exigente e de qualidade e a ligação às empresas parceiras são os factores que fazem da Universidade Lusíada já uma referência no ensino de pós-graduação em Marketing e Comunicação Empresarial e CRM e Marketing Research.

Como lida com a conciliação entre o universo dos Recursos Humanos e o mundo do Marketing?
O Marketing surge porque há organizações e recursos humanos. Não podemos falar de Marketing, sem falarmos de Pessoas. Assim sendo, cada vez mais, e numa economia de serviços como a nossa, faz sentido a produção científica e o desenvolvimento empírico destas duas temáticas de forma integrada.

A curto-médio prazo, tem mais alguma Pós-Graduação em vista?
Sim. No ano lectivo que se inicia em Outubro iremos abrir uma nova Pós-Graduação Executiva em Marketing Management que está especialmente vocacionada para empresários, quadros e profissionais que pretendam, em simultâneo, conjugar o exercício activo das suas responsabilidades profissionais com o desenvolvimento de novas competências em ambiente académico de grande rigor e desafio intelectual, de forma presencial e via internet.
Do meu ponto de vista, este novo curso assume-se como uma oportunidade de renovar e adquirir conhecimentos, ajustando-se ao ritmo e ao estilo de vida profissional dos candidatos.
Para o efeito o Curso de Pós-Graduação Executiva em Marketing Management recorre a uma metodologia de blended-learning, cada vez mais usada em Escolas de Gestão e Organizações Internacionais de topo. Permitindo uma correcta gestão do tempo e do esforço por parte dos alunos, este curso assegura ao mesmo tempo a proximidade e a interacção de grupo, fundamentais em processos de aprendizagem.

David Pinheiro / PlanetaRH

sexta-feira, julho 14, 2006

Marca na Hora



O Governo apresenta, hoje, em Coimbra, o projecto Marca na Hora, uma das medidas previstas no programa Simplex e aprovada em Conselho de Ministros. Até ao momento, para obter a aprovação de uma marca para um determinado produto a ser comercializado demorava até 16 meses.

A partir de segunda-feira, quem quiser criar uma empresa passa a poder seleccionar, de uma lista de 200 já registadas pelo Estado, uma mesma designação em simultâneo para o nome da empresa e para a marca dos produtos que vai comercializar. Todavia, o processo conta ainda com algumas limitações, as marcas disponíveis estão limitadas a uma lista de 200 e a marca na hora apenas pode ser aplicada em sete classes de produtos e serviços, que o Governo estima representarem 77% dos pedidos.

A cerimónia de apresentação da Marca na Hora está agendada para as 15h30 e contará com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, do ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, do ministro da Justiça, Alberto Costa e do secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra. A ocasião será aproveitada para fazer o balanço da Empresa na Hora.

terça-feira, julho 11, 2006

Sonaecom considera OPA sobre PT como "benéfica"

O administrador executivo da Sonaecom, Luís Reis, reafirmou hoje que não existe uma concorrência saudável no mercado das Telecomunicações em Portugal, e que neste sentido a Oferta da Sonaecom sobre a PT foi benéfica.

Patrícia Abreu

Segundo afirmou Luís Reis durante o V Fórum Telecom e Media promovido pelo Diário Económoico, "entendemos que há muitos anos que há falta de concorrência de facto em Portugal, e a Sonaecom tem uma proposta para que se mude o sector das Telecomunicações".

O administrador da Sonaecom assegurou que existe um operador que detém o monopólio dos conteúdos e da distribuição, o que constitui um prejuízo evidente para a concorrência e leva a que os portugueses paguem mais pelos serviços do que em outros países da União Europeia.

Deste modo, a OPA sobre a PT traria especiais benefícios para o consumidor, o qual passaria a ter acesso a "a um melhor serviço a um menor preço. É uma oportunidade única para o sector das Telecomunicações em Portugal".

Luís Reis adiantou também que a proposta da Sonaecom aposta numa clara estratégia de internacionalização. Este responsável acrescentou igualmente que o Grupo PT teria um controlo accionista português, e que a empresa seria mantida em bolsa.

Os accionistas da PT pronunciam-se amanhã sobre a Oferta da Sonaecom sobre a PT, sendo que a Sonaecom apresentou um conjunto de 'remédios' para que a proposta seja aprovada pelo regulador.

quarta-feira, julho 05, 2006

A Solução Global


Investimentos Estrangeiros Vão Salvar os Países Desenvolvidos

Já estamos conscientes que a Segurança Social não oferece a segurança que vamos desejar quando chegar a nossa hora da reforma.

Grande parte da população tem procurado refúgio alternativo criando uma carteira particular para o efeito. No entanto surge uma dúvida se as carteiras dos Particulares garantem a resolução do problema. É muito possível que o problema do Estado se alastre pelo sector Particular causando estragos a todos.

No caso da Segurança Social o problema é simples: muitos inactivos para uma população activa decrescente, o que se compara claramente ao sector dos Particulares quando se der inicio a uma vaga de Baby Boomers a tentarem liquidar as suas carteiras e não encontrarem compradores suficientes interessados nos seus bens.

Se não existirem pessoas suficientes com capacidade financeira suficiente para absorver os bens, então estas carteiras de reforma não poderão ser absorvidas pelo mercado ao preço desejado, ou aquele que tínhamos previsto.

A causa principal da degradação dos países desenvolvidos é sem duvida o envelhecimento da população. Em 1950 os EUA contavam com 7 activos para um reformado, actualmente contam 5 para 1, e em 2050 apenas 2 para 1 – apesar da população Americana ser considerada a mais jovem dos países desenvolvidos. O Japão vai contar apenas com 1 para 1 com maior parte da população enquadrada entre os 75 e 80 anos de idade.

Para agravar este problema, temos ainda uma esperança de vida a subir e uma média das idades de reforma a descer. Em 1950 a idade média Americana de reforma era 67 com esperança de vida 69. Hoje reformam-se aos 62 e vivem 14,4 anos adicionais a 1950.

São despertados dois problemas: quem vai produzir – será que vamos ter trabalhadores suficientes para produzir os bens necessários? E quem vai comprar o património que os Baby Boomers tencionam vender de forma a garantir uma reforma confortável?

Imaginem o que vai acontecer ao mercado de acções e obrigações quando triliões de dólares invadirem os mercados financeiros à procura dos escassos compradores. Quanto é que será que as bolsas terão de desvalorizar até encontrar a curva da procura?


Soluções em Vista:

1- Trabalhar mais anos.
É possível, mas teremos que trabalhar mais anos do que os anos que vivemos a mais. A idade da reforma teria de aumentar de uns dez anos, até aos 73, mas este aumento é superior ao aumento da esperança de vida, sendo que passaríamos a ter apenas uma média de 9,2 anos de reforma em vez dos prometidos 14,4, um decréscimo de 30%. Seria a primeira vez que assistiríamos a um decréscimo efectivo dos anos de reforma.

2-Aumento de produtividade pode ajudar.
A média histórica a longo prazo de aumentos de produtividade é de 2,2% anuais. Mas, mesmo que conseguíssemos por as caldeiras a todo o vapor deparamos com outro problema: o aumento de produtividade influencia um aumento salarial e dos rendimentos, e as pensões baseiam-se nestes dois, logo vai afectar ambos os lados da equação: ficamos com um cão a perseguir a sua própria cauda.

3-Imigração.
De forma a manter a média da reforma aos 62 anos de idade durante os próximos 30 a 40 anos, o Prof Siegel calcula serem necessários adicionar meio bilião de habitantes à actual população dos EUA. Confessa estar consciente da dimensão deste número, apesar de ser liberal no que toca à imigração.

Existem esperanças; a população dos países em desenvolvimento, é bastante mais jovem. É tradição os velhos venderem bens aos jovens. Nos EUA a Florida aloja grande parte dos reformados, a Florida vende para os restantes 49 estados federais. No futuro quando os EUA forem compostos de 50 Floridas, juntamente com a Europa, Canada e Japão, vão ter de vender aos países em desenvolvimento. Actualmente, a população dos países desenvolvidos representa 13,2% dos terrestres, e controlam 56% do PMB -Produto Mundial Bruto.

Em 2050, as projecções de Siegel afirmam que estes dados alteram para 12% da população com 23% de PMB. O resto do PMB fica nas mãos dos países em desenvolvimento, sendo que a China leva 20% do PMB e a Índia 16%.

Siegel insiste que os dados apresentados são, apesar de tudo, conservadores.
Actualmente o rendimento per capita na China é 12% do dos EUA - a Índia anda a 8%. Todas as previsões apontam que a China consegue alcançar 50% dos EUA até 2050, portanto, e uma vez que são quatro vezes mais populosos, significa que terão o dobro da dimensão –é uma conta simples mas funciona.

Se conseguirmos por a população mundial a transaccionar uns com os outros, teremos os jovens dos países em desenvolvimento a comprar bens, e os velhos dos países desenvolvidos a venderem bens e a importarem produtos.

Se conseguirmos montar este esquema de transacções, a idade média de reforma ainda terá de prolongar, mas apenas até aos 67-68 anos, idades que se enquadram melhor dentro das projecções da Segurança Social, e são bem mais exequíveis do que se os países desenvolvidos tentarem resolver este problema internamente.
Siegel diz que é a Solução Global.

Todo este conjunto de transacções implica que os actuais países em desenvolvimento vão acabar por deter maioria do capital do mundo assim como propriedade das principais multinacionais.

Em 2050, dois terços do capital vai estar nas mãos dos países em desenvolvimento, comparativamente aos 7,7% actuais. Isto implica um cenário de transacções financeiras internacionais massivas.

Na perspectiva de Siegel, e para aqueles que se opõem a este estudo, ele apresenta um modelo financeiro que permite analisar alguns cenários. Ele demonstra que se os EUA fecharem as portas aos estrangeiros, podem surgir desvalorizações na ordem dos 40-50%, adicionando, que neste caso os Norte Americanos terão de trabalhar até aos 73 anos mas sem conseguir criar mais riqueza.

Temos de perceber que a Procura é o ingrediente principal de suporte dos mercados financeiros.

Não devemos concluir que a Índia e a China são os melhores lugares para investirmos. Os dados apresentados por Siegel mostram que nos passados 20 anos, os mercados emergentes apresentam uma correlação negativa entre a velocidade de crescimento e os retornos para os investidores. Explica-se pelo facto dos investidores serem seduzidos pelo factor crescimento e empurram demasiado os preços das acções. Não devemos esquecer que o factor preço é fundamental nos retornos a longo prazo. Dados históricos mostram sectores com taxas de crescimento baixas que surpreenderam os de taxas de crescimento altas.

Siegel recomenda um portfolio de acções 60% EUA e 40% internacional, isto porque os EUA vão representar uma pequena fatia do bolo. Assim como até à data não temos posto os ovos todos na mesma industria, no futuro fará sentido ter um montante significativo de acções internacionais – não implica necessariamente obtenção de melhores rendimentos, mas sim porque devemos diversificar.

Dentro dos três tipos de bens, acções, obrigações, e imobiliário, que no caso dos EUA, cada representa cerca de USD15 triliões, Siegel continua a apostar nas acções como o melhor investimento a longo prazo, com lucros superiores a qualquer um dos outros dois. Isto é verdade, mesmo tendo em consideração as recentes subidas espectaculares no imobiliário, que é bem possível que já tenham esgotado. (Já se confirmam os crescentes inventários de casas por vender).

É possível que muitos investidores já tenham finalmente percebido que as acções sejam um bom investimento, o que ajuda a manter os valores de mercado das mesmas. No entanto e apesar da tendência de procura aumentar, e dos investidores cada vez mais aguentarem os seus investimentos mesmo em alturas menos favoráveis, Siegel prevê um abrandamento da valorização global, sendo que as médias de retorno anuais devem ficar pelos 5,5-6%.


Bernardo Amaral

terça-feira, julho 04, 2006

Pluma novamente premiada


A mais leve garrafa de gás da Galp Energia foi novamente premiada. E desta vez com o Gold IDEA 2006 ( na categoria de "packaging") atribuído pela IDSA–Industrial Designers Society of America (associação dos designers industriais dos Estados Unidos) e patrocinado pela revista "BusinessWeek".

O anúncio, feito na passada sexta-feira pela revista norte-americana, aumenta para oito o número de distinções que a Pluma já recebeu desde que saiu para a rua, em Novembro de 2005.

segunda-feira, julho 03, 2006

BES lidera retorno publicitário


O Banco Espírito Santo (BES), um dos patrocinadores da Selecção Nacional, foi a marca associada ao mundo do futebol que retirou o maior retorno em espaço publicitário, no mês de Maio.

Com mais de 12.209 milhões de euros de retorno total, o BES liderou o 'ranking' de anunciantes e ultrapassou, com uma diferença de 123 por cento, o grupo Portugal Telecom, a marca que ao longo do último ano tem liderado o 'top' elaborado pela empresa de análise de informação Memorandum. Na segunda posição surgiu a operadora TMN, com 9.898.352 euros, seguida pela Galp Energia , que obteve um retorno na ordem dos 8,2 milhões de euros.

Os dados da Memorandum são baseados no conceito de espaço publicitário equivalente, sendo medido o retorno do investimento, a preços de tabela, resultante do tempo ou espaço em que a mensagem esteve exposta nos meios de comunicação social.

Segundo a entidade bancária, este resultado reflecte principalmente o efeito conseguido através do programa de comunicação "A Mais Bela Bandeira do Mundo", que coincidiu com o início do estágio da selecção antes da partida para o Mundial 2006, bem como em todo o espaço editorial ocupado pelas notícias referentes à equipa portuguesa com a presença do BES.

Os dados reflectem ainda os valores referentes a espaço ocupado pelos três principias clubes portugueses de futebol, que também são patrocinados por esta marca bancária.

sexta-feira, junho 30, 2006

A escola e empresa

Ao extinguir as antigas Escolas Comerciais e Industriais, abriu-se uma lacuna irreparável no ensino intermédio.

António Gaspar in DE

“Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo”.
Cora Coralina, Entrevista à Folha de S. Paulo, em 26/9/1982


A questão do ensino em Portugal, há muitos anos que se vem debatendo sem que, aparentemente, se tenham encontrado as soluções por todos (Escola, Estado e Empresas) desejadas.

Quando abordamos o tema, surgem-nos vários níveis e sob uma multiplicidade de ângulos. Quando me refiro à Escola estou a referenciar a Instituição, isto é, desde o ensino preparatório, passando pelo secundário e terminando, por fim, no universitário.

Todo o sistema de ensino, ao longo da cadeia dos seus variados níveis, deve contribuir para formar e preparar os jovens para uma integração perfeita no mundo do trabalho, nunca perdendo de vista que competências são desejadas pelas empresas. Sem ter em conta permanentemente ao longo de todo o ciclo de ensino, as efectivas necessidades das empresas, o mesmo não só não contribuirá para ajudar a criar riqueza, como acaba por distorcer o modelo que a nossa economia necessita.

De todas as reformas levadas a efeito nas últimas duas décadas a nível do ensino secundário, tenho que referenciar um erro monumental. Ao extinguir as antigas Escolas Comerciais e Industriais, abriu-se uma lacuna irreparável no ensino intermédio. Estes estabelecimentos de ensino, preparavam excelentes profissionais com um grau de ensino secundário, mas virado exclusivamente para a profissão. Electricistas, mecânicos, técnicos de administração e contabilidade, técnicos de vendas e muitas outras profissões saíam destas Escolas. Eram cursos mistos, isto é, possuíam uma vertente teórica e uma vertente prática muito acentuada; conseguiam transmitir importantes conhecimentos técnicos relativamente à profissão escolhida, acompanhados com uma formação académica adequada.

O surgimento do ensino superior politécnico não veio substituir o anterior, viria complementar, caso o anterior ainda existisse e ambos beneficiariam, no sentido de quem quisesse aprofundar conhecimentos encontraria no politécnico a fonte do seu crescimento profissional. Mas, para prejuízo de todos (profissionais e empresas) nada disso aconteceu.

A situação do universitário que se vem registando, nada tem acrescentado às solicitações que o meio empresarial (de forma cada vez mais exigente) vem colocando em termos de competências, aos seus colaboradores. A Universidade tem de perceber de uma vez por todas que está a formar alunos para o mercado de trabalho e não para o desemprego. Se por um lado, a taxa de desemprego que temos neste momento se configura como um obstáculo à colocação dos recém-licenciados no mercado de trabalho após terminarem o seu curso, mais difícil será se as competências que a Universidade lhe transmitiu não encontrarem eco nas necessidades reais das empresas. Quem dirige as Universidades tem que perceber definitivamente que terão que ser elas a ir junto das empresas e das várias associações representativas dos serviços e da indústria, saber o que efectivamente necessitam; que perfis de profissionais desejam para fazer crescer as suas empresas e desta forma criar uma maior riqueza para o país. A Academia não se pode virar para dentro de si própria; não pode ignorar o que as empresas necessitam e essa inventariação não se faz a partir duma cadeira situada num qualquer gabinete. Faz-se no terreno. Faz-se com visitas e reuniões nas instituições anteriormente referidas. Procura-se saber directamente o que os nossos empresários necessitam e depois que sejam adaptados os programas com conteúdos de acordo com as necessidades da economia real. É este passo que a Universidade tem que dar e quanto mais depressa se decidir, menor será a perda, pois há muito que deveria ser dado. Só uma falta de visão empresarial pode justificar esta situação. Mas existe remédio – contratar quem o saiba fazer!

O mundo está num processo de mudança há vários anos e todos os agentes se têm que adaptar às constantes alterações nas solicitações que lhe são colocadas. A Academia não foge a esta realidade. O difícil não é manterem-se. O difícil é saberem adaptar-se à mudança. Quem se adaptar às mudanças terá o caminho aberto para o sucesso; e neste caso, o seu sucesso contribui decididamente para o sucesso de terceiros - alunos e empresas.

De que se está então à espera? Portugal e os portugueses não podem esperar mais!

quarta-feira, junho 28, 2006

Quando as más notícias também podem ser publicidade

Ana Cunha Almeida e Carlos Pereira in DE


Não há bolha que resista à capacidade de Ronaldo. Depois de passar dois jogos em que a prestação foi criticada, o avançado da selecção canarinha resolveu mudar de chuteiras e regressar às suas “velhinhas” botas amarelas (da marca Nike, como não podia deixar de ser), deixando de lado as “tecnicamente perfeitas”, segundo a Nike, “Mercurial Vapor III” que lhe terão provocado uma bolha no pé esquerdo devido a uma costura no seu interior.

A polémica acendeu-se no início deste mês, e aumentou por causa da prestação de Ronaldo nos dois últimos jogos. No Brasil, os jornalistas acompanhavam diariamente o caso das bolhas, e a Nike terá sido uma das maiores visadas. Várias teorias começaram a surgir, e explicações também. Mas uma coisa é certa: as notícias colocaram a marca (que não é patrocinadora do Mundial, ao contrário da rival Adidas) no topo da agenda mediática. Passadas exactamente três semanas sobre a enxurrada de notícias, a Nike tem vindo a público com várias explicações, algumas delas contraditórias.

Segundo informações que a companhia forneceu ao Diário Económico, todo este problema ainda está a ser analisado, “uma vez que foram realizados todos os testes e ajustes habituais antes das novas botas serem atribuídas ao jogador”. Uma das contradições está mesmo aqui. O porta-voz da Nike do Brasil, Ingo Ostrovsky, afirmou que a única mudança no novo modelo em relação ao já usado por Ronaldo era a cor, não havendo, portanto, qualquer alteração quanto ao design. O que assim sendo não seria motivo para o aparecimento da bolha no pé.

No entanto, em Janeiro deste ano, aquando da apresentação da Mercurial Vapor III, a Nike afirmou que terá gasto com este novo produto “mais de dois anos de design, desenvolvimento e pesquisa sobre como impulsionar a velocidade de um jogador ao maximizar a aceleração”, adiantando que a chuteira é “fabricada artesanalmente na Itália e pesando o mesmo que uma sapatilha de atletismo (uma fração acima dos 200 gramas)”, sendo a Mercurial Vapor III “a chuteira mais avançada feita pela Nike até hoje”.
Mas apesar deste aparente conflito dentro da própria Nike, e de possíveis jogos de informação menos exacta, a marca de equipamentos desportivos não sentiu mazelas nas vendas dos seus produtos, podendo mesmo ter beneficiado da situação para catapultar as vendas. Quando muito, o modelo “Mercurial Vapor III”, que alegadamente terá provocado esta situação, é que poderá sentir mais algumas dificuldades nas vendas.

No entanto, as críticas feitas à Nike não se destinam apenas ao modelo usado por Ronaldo. A teoria que corre nos sites desportivos aponta o modelo Total 90 Supremacy usado pelo inglês Wayne Ronney como culpado por este ter partido um osso do pé, havendo mesmo críticos que afirmam que esta bota não garante protecção aos pés dos futebolistas. Conspirações à parte, o facto é que, alegadamente, este modelo poderá estar na origem do aparecimento de bolhas nos pés de Luís Figo. A Nike, no entanto, no caso do internacional português, justificou-se, apontando o estado do relvado e as elevadas temperaturas que se faziam sentir como principais responsáveis pelo sucedido.

E o facto é que não se tem conhecimento - até ao momento - de eventuais problemas por parte dos outros 225 futebolistas patrocinados pela Nike.

Adidas, o grande rival
Patrocinador oficial, parceiro de todos os campeonatos do mundo até 2014 e fornecedor da bola de jogo, a Adidas investiu neste prolongamento de contrato com a FIFA (Federação Internacional de Futebol) cerca de 350 milhões de dólares (280 milhões de euros).

A multinacional de origem alemã veste “apenas” seis selecções neste mundial (Alemanha, Argentina, França, Espanha, Japão e Trinidad e Tobago), contra as oito da Nike (Portugal, Brasil, Holanda, Croácia, EUA, México, Coreia do Sul e Austrália) e as doze da Puma (Angola, Itália, Republica Checa, Gana, Irão, Togo, Costa do Marfim, Paraguai, Polónia, Arábia saudita, Suíça e Tunísia).

Mas se, por um lado, a Adidas não está assim tão bem representada a nível de número de selecções participantes neste mundial, a marca aposta em força no patrocínio individual de futebolistas, onde conta com 273 jogadores que se equipam com a marca das três riscas. Na selecção portuguesa são 12 os jogadores patrocinados pela Adidas: Ricardo Costa, Caneira, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Petit, F. Meira, Tiago, Hugo Viana, Postiga, Nuno Gomes e Simão Sabrosa.

A nível internacional, são também apadrinhados por esta marca Djibril Cissé (França), Zidane (França), Jermain Defoe (Inglaterra), Arjen Robben (Holanda), Kevin Kuranyi (Alemanha), Ballack (Alemanha), Raul (Espanha), Xavi (Espanha), Nakanura (Japão) e Riquelme (Argentina).

Em termos publicitários, a Adidas arrancou com a sua campanha em Outubro de 2005, onde se ‘jogou’ com a imagem de 25 jogadores, entre os quais Kaka (Brasil), Beckham (Inglaterra) ou Michael Ballack (Alemanha). Em simultâneo, a esta primeira fase da campanha deu-se o lançamento, em Madrid, das botas +Predador Absolute, da nova bola oficial de jogo para este Mundial, a +Teamgeist.

Nike patrocina recuperação de Ronaldo
O brasileiro Ronaldo respondeu na quinta-feira passada às críticas feitas a nível internacional à sua capacidade física com dois golos frente ao Japão, numa partida que viria a terminar com um contundente 4-1 .
Por coincidência ou não, a Nike tinha já preparado um spot publicitário, baseado na campanha “Joga Bonito”, onde exibe os dotes futebolísticos do “Fenómeno” desde que vestiu a camisola dos holandeses do PSV Eindhoven, do Barcelona, do Inter de Milão e do Real Madrid, exaltando as situações críticas que viveu, como as duas operações no joelho direito, devidamente representadas por uma imagem forte e nítida da enorme cicatriz que ficou no local. Entre dribles e golos, o ex-jogador francês Eric Cantona - que no anúncio apresenta as imagens - grita o apelido que Ronaldo ganhou da imprensa italiana: “Fenómeno!”. No final do spot, vestido com a camisola da selecção brasileira, Ronaldo comemora um golo colocando o indicador em frente à boca. Quem estará a mandar calar?

McCann aproveita oportunidade da bolha
Com o Campeonato do Mundo de Futebol à porta, a oportunidade não poderia ter sido a melhor. As bolhas que surgiram no calcanhar do brasileiro Ronaldo e as declarações do médico da selecção canarinha fizeram luz a Doriano Cecchettini, criativo da McCann São Paulo, Brasil, para elaborar uma campanha publicitária em prol da ‘Band-Aid’, marca de pensos rápidos da Johnson&Johnson. “Como todo o brasileiro sou um aficionado de futebol. Estava a ler o jornal desportivo quando vi a notícia que o pé de Ronaldo estava com bolhas, e que o médico da selecção brasileira afirmou: ‘A bolha está cicatrizando. Vai formando uma pele e a gente protege com ‘Band-Aid’’. Como a ‘Band-Aid’ é nosso cliente, aproveitei”, explicou Doriano Cecchettini ao Diário Económico.
Fazendo jus ao ditado “o mal de uns é o bem de outros”, segundo este criativo, oito horas bastaram para criar a campanha e obter a aprovação do cliente. No dia seguinte, o anúncio estava nos jornais (ver imagem ao lado). “Foi uma sorte. O nosso cliente estava numa convenção, conseguimos tirá-lo da reunião para autorizar a campanha. Este trabalho deu tanto alarido com a quantidade de telefonemas e pressão, que acabou por ser assinado pelo próprio presidente da Johnson&Johnson”, conta Doriano Cecchettini, que sublinha ainda o facto do presidente da Nestlé ter elogiado o trabalho sem saber que era feito pela McCann que, por coincidência, também é a sua agência de publicidade.
No rodapé do cartaz pode ler-se: “Se depender de nós até vai ter golo de calcanhar”. Certo é que Ronaldo voltou aos golos e ante o Japão, no último jogo do grupo F do Campeonato do Mundo de Futebol o “fenómeno” fez por duas vezes o gosto ao pé.

terça-feira, junho 27, 2006

Prémios à Eficácia 2006

Termina no próximo dia 30 de Junho, sexta-feira, o prazo de entrega de candidaturas aos Prémios à Eficácia 2006.

Os Prémios à Eficácia receberam, ao longo das últimas semanas, várias candidaturas para a sua segunda edição.

Esta conta com algumas alterações em relação ao modelo seguido em 2005, nomeadamente na introdução de novas áreas e categorias de avaliação. oi criado um novo prémio, Melhor Utilização da Investigação , ao qual concorrem todos os casos a concurso. A criação deste prémio traduz a importância dos estudos de mercado e de outras pesquisas prévias e posteriores, no desenvolvimento e avaliação de campanhas.

A Gala de entrega dos Prémios está marcada para Novembro.

Para mais informações consulte:
www.premioseficacia.org

segunda-feira, junho 26, 2006

Pagar o software

Mais de metade dos programas usados nos computadores portugueses não é pago. Sai à borla. Não é difícil imaginar a cabeça de todos estes piratas: Bill Gates é o homem mais rico do mundo, pelo que não precisa de ser pago pelo que inventou. O mundo é um lugar injusto.


Martim Avillez Figueiredo

Grande parte destes piratas são pessoas comuns. Ou seja, não assaltam nas ruas e pagam o que trazem das lojas. Usam dinheiro próprio, portanto, para financiar todos os seus gastos. Inclusive, veja-se bem, para comprar um computador. Mas quando toca a pagar por tudo aquilo que colocam dentro da máquina, recusam-se. Pior: consideram-se no direito de se apropriar do que é de outros. Tranquilos.

Um anúncio recente, que abre as sessões nas salas de cinema e marca o arranque de todos os novos DVD, fala para esta gente. Diz-lhes: você não seria capaz de roubar um carro. Nem sequer um DVD. E o que diz quem ouve? Que são uns poucos (que já têm muito) que se apropriam de tudo, pelo que não merecem ser pagos. Não merecem mesmo?

Usemos o futebol como exemplo, recuperando uma velha história usada com Wilt Chamberlain (velha vedeta dos Boston Celtics, equipa americana de basket). Para isso, suponha-se que parte destes piratas eram adeptos da selecção nacional de futebol.
Explique-se, em seguida, que o valor do bilhete não chegava para pagar a presença em campo, por exemplo, de Cristiano Ronaldo - só financiava o salário dos restantes jogadores. Para Ronaldo jogar, cada adepto teria de colocar 1 euro numa pequena caixa (a caixa de Ronaldo) no balcão da bilheteira. O argumento é simples: jogando, a selecção teria mais possibilidades de vencer e os adeptos ficariam mais felizes. Ou seja, todos ficariam melhores: a equipa porque ganhava, a audiência porque festejava as fintas e Ronaldo porque via premiado o seu talento extra. Acreditem: a maior parte concordaria.

De regresso ao software, é este argumento simples que justifica os milhões de Bill Gates. Também aqui, todos ganham: ele torna os computadores úteis (ganham com software inteligente), facilita a vida dos utilizadores (sem processador de texto este editorial só à mão ou à máquina) e vê premiado o seu talento. Numa frase, são merecidos os milhões de Gates, como são merecidos os milhões dos criadores do Google. O que não faz sentido é que no mundo estes princípios não sejam óbvios – sem eles não existiriam Ronaldos. Só ecrãs negros de um computador que ninguém saberia usar.

sexta-feira, junho 23, 2006

Alguns dados referentes à China

Por Bernardo Amaral


Governo: tem um poder de negociação elevado com o resto do mundo, e para agravar o cenário são extremamente inteligentes e aplicam teorias de capitalismo moderno que a Europa ou EUA ainda não identificaram. Os cofres abundam em euros e dólares fora as reservas de matérias primas (ex. reservas de petróleo contabilizadas em 6,5biliões de toneladas –proven reserves).


População: a vantagem de 1,3 biliões paga-se com os 150 milhões que migram anualmente para os centros urbanos à procura de trabalho. Mesmo ignorando este número, a China despede 5 milhões de funcionários por ano e a massa laboral aumenta em 10 milhões, logo são necessários criar 15 milhões de postos de trabalho novos por ano para colmatar futuros problemas sociais. Se olharmos para a pirâmide etária chinesa, observamos que a procissão ainda não arrancou, a massa laboral atinge o seu auge em 2015.


O êxodo rural, os telemóveis, SMSs e a Internet têm dificultado o controlo do governo sobre as massas originando um aumentado de manifestações de descontentamento.


Também contam com 14% de analfabetos e actual média de permanência escolar 6,4anos. 5% da população que tem entre os 25 e 64anos é licenciada (UE 21%) mesmo assim estes chineses licenciados somam 31milhões de pessoas. Mas os esforços já permitiram uma melhoria significativa. Desde 1999 implantaram medidas que resultaram em licenciar 15% dos jovens entre os 18 e 22 anos, o que resulta em 1,2milhões de alunos universitários (1,3 EUA e 0,86 UE).

No entanto os chineses demonstram preocupação em deter quadros superiores competitivos nomeadamente na área financeira. Actualmente, 8000 dos 118000 CFAs no mundo são chineses e com pontuações médias superiores ao resto do mundo.


Research & Development R&D. A China conta apenas com 1 licenciado para cada mil funcionários, UE 6 por mil e Japão 10 por mil.


Mas o governo está atento e em conjunto com o orgulho de colocar um Chinês no espaço, a carroça científica é empurrada por um orçamento de 1,5% do PNB. Para alem deste hubris apostam nas indústrias emergentes como a biotecnologia e energias alternativas.


A eficácia energética continua a metade das médias da OCDE, precisam do dobro da energia para produzir o mesmo bem: já em 2001 a conta da energia representava 10% do consumo mundial.


O cenário ambiental está igualmente ineficiente. 7 das 10 cidades mais poluídas do mundo estão lá. Viver num centro urbano equivale a fumar 2 maços de cigarros por dia. Embora pareçam boas notícias para a Segurança Social Chinesa, estima-se que a conta da degradação ambiental custe ao governo cerca de 10% do PNB.


Competitividade: entre 1990 e 2002 a UE duplicou as suas compras da China para 8,7% do total das importações. EUA quadruplicaram para 11%. No entanto os rankings de competitividade mundial, atribuídos pelo Fórum Económico Mundial, colocam a China em 40a posição numa lista de 104 países (a Jordânia ou a Tunísia conseguem melhores qualificações nesta escala que pesa inovação, penetração…)

Mas se medirmos a área tecnológica conseguem descer para 62º. Em termos de ambiente macro económico o índice apresenta a China em 24o.


A China pode exportar brinquedos baratos no entanto importam aviões, aço Premium, conhecimento, maquinaria industrial, carros de luxo etc...

Sabemos que a China continua a apostar em grandes quantidades em detrimento da qualidade. Desta ameaça surge uma oportunidade para a Europa e EUA reestruturarem planos económicos e apostarem noutros sectores ou noutras formas de lucrar com este mercado.

Fórum Marcas, Marketing e Brand Building

Dois dias onde se partilharam experiências e conhecimentos, fomentando o debate em torno do desenvolvimento de uma cultura de inovação, propriedade intelectual, gestão e consolidação da marca, numa perspectiva de criação de valor.


O Centro de Congressos de Lisboa recebeu o Fórum Marcas, Marketing e Brand Buiding, organizado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), esta semana.

Jorge Rocha de Matos iniciou as intervenções da abertura institucional afirmando que, contrariamente ao que muitos pensam, Portugal é um país permeável à inovação e com uma grande capacidade inventiva, dizendo que "o que nos falta é transformar em valor aquilo que conseguimos".

Ainda no mesmo sentido e referindo a Carta Magna de Competitividade, afirmou que os objectivos futuros passam por "fazer de Portugal, entre 2005 e 2015, um dos países mais atractivos e competitivos da União Europeia".

Jorge Barata Preto referiu que "não basta investir, inovar e competir, é necessário proteger", sendo que o Estado e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) disponibilizam ferramentas para tal.

O membro do Conselho de Administração do INPI aproveitou para lembrar que dentro de menos de um mês, a 14 de Julho, surge a marca na hora, em balcões de três cidades do país, Lisboa, Coimbra e Vila Nova de Gaia, nomeadamente. Uma das medidas do plano tecnológico que segundo Jorge Preto tornam o Estado mais dinâmico e menos burocrata, permitindo às empresas portuguesas competir de uma forma mais eficaz no mercado global.

A legislação abre assim novos caminhos, é preciso, no entanto, que as empresas se saibam adaptar aos novos desafios.

Jorge Barata Preto referiu ainda a possibilidade de consultar informação jurídica e fazer pesquisa de patentes na Internet, afirmando que num futuro breve será possível solicitar igualmente registos online.

Basílio Horta, em representação do ministro da economia e inovação, disse acreditar que "a inovação com tecnologia é a mola virtual do nosso crescimento e desenvolvimento".

Para o presidente da Associação Portuguesa para o Investimento (API) "a marca incorpora um valor maior do que a simples identificação e é mais forte do que ligação produto/comercial/consumista, a marca é a chave que abre os mercados".

Para Tove Graulund as marcas adicionam valor, criam lealdade, cumprem promessas, desenvolvem relações, criam sensações/sentimentos e estão na mente do consumidor.

Falando sobre a Marca Portugal, Basílio Horta considera que a imagem que os estrangeiros têm do nosso país é desfasada da realidade, sendo que nos "vêem como atrasados, sem infra-estruturas, no meio de um processo longo e lento de qualificação de mão-de-obra".

Isto explica, segundo o presidente da API, a importância deste evento, pois a Marca Portugal, de relevância inquestionável, é resultado da junção de todas as marcas portuguesas.

Carlos Coelho prometeu uma viagem desconcertante ao abrir o primeiro painel de oradores e cumpriu. Durante uma apresentação criativa, falou de pontos essenciais na criação e gestão de uma marca.

O presidente da Brand Corp alertou para a liberdade de comunicação e a responsabilidade que isso implica e para o facto da mensagem de uma empresa ser apenas mais uma, num Mundo repleto de mensagens.

No mesmo enquadramento, Manuela Botelho, referiu que há 2 mil mensagens publicitárias por dia. Como consequência, 80% das pessoas considera que há publicidade a mais e 60% dos pais que os filhos são bombardeados por publicidade.

Carlos Coelho afirmou ainda que não há lugar para credibilidade nos anúncios, estes são apenas espaço de diversão. A credibilidade, essa fica por exemplo para o cinema, sendo que no último filme de James Bond contabilizou 71 marcas. Aqui o público absorve a informação como credível, sem questionar porque simplesmente não está a ver publicidade pura.

O fundador da Brand Corp acredita ser necessário regressar ao genuíno e mudar as regras do jogo, seduzindo e fazendo com que as pessoas se envolvam, se libertem de preconceitos e baixem as defesas.

Para Carlos Coelho a "publicidade é imaginar um Mundo de fantasia".

Talvez no mesmo espírito, Paulo Rocha afirmou que "as marcas são feitas de ambição e magia". Uma intervenção não menos criativa, onde foi aproveitada uma caricatura de todo um sector para falar de coisas sérias.

Em relação à questão quem conduz quem, na relação marca/consumidor, considera-a demasiado simplista no sentido em que este processo é recíproco.

Paulo Rocha criticou os concursos que muitas vezes exploram talentos criativos e desprestigiam o sector, assim como o excesso de estudos de mercado que, na maioria das vezes, não acrescentam nada de significativo, não apontando direcções . Considera, no entanto, que são importantes mas é necessário haver um bom trabalho de equipa para que resulte.

Quanto às regras, refere que são mais "forças" do que regras e acredita que não devem ditar mas apoiar e depois devem-se esquecer.

O criativo apela para não se cair na tentação da publicidade, é necessário que o produto tenha um valor antecipado.

David Riu, mantendo a boa disposição que reinava no Centro de Congressos, falou mesmo na origem da palavra Brand enquanto a marca que era feita nos animais com a pressão exercida por um ferro quente. Também as marcas necessitam de dois aspectos para sobreviver, personalidade e notoriedade.

O professor da ESADE chamou a atenção para o facto das empresas que se debruçam demasiado sobre os produtos acabam por ficar de costas voltadas para o mercado.

Quanto mais a publicidade criar a sensação de diferenciação do produto menos relevância tem os seu preço. Vejamos o exemplo que deu, duas marcas de azeite parecem-nos muito semelhantes daí que o preço tenha um peso considerável. Os champôs são apresentados com uma gama enorme, daí que o valor do preço não seja tão decisivo no acto de compra. A realidade é que dois champôs são muito mais parecidos do que dois azeites. A publicidade tem a capacidade de nos iludir. Se conhecermos os produtos isto não acontece, daí que não seja de admirar que a Suíça tenha a taxa mais elevada de compra de chocolates de marca branca e no Reino Unido aconteça o mesmo mas como Whisky.

David Riu afirma que o processo de compra nunca é racional, ninguém compara informação, a publicidade é como uma montra e não um veículo de comunicação.

Por outro lado, Manuela Botelho, considera que o consumidor é cada vez menos dócil e mais difícil e exigente. No mesmo sentido, Ana Sepúlveda afirma que o consumidor é inteligente e céptico, as empresas necessitam ser flexíveis.

Atendendo a isto "na economia global vence quem inova", como afirma Jorge Rocha Matos. Jorge Barata Preto acredita mesmo que "o conhecimento e a inovação são factores decisivos para a competitividade e mesmo para a sobrevivência".

Ana Lopes da Silva, da AIP/CCI, faz um balanço positivo do evento. Considera que este chamou a atenção das pequenas e médias empresas e trouxe a debate os diversos aspectos das marcas que não são discutidos com frequência. O Fórum permitiu abordar toda a envolvente, ou seja, todo o ciclo das marcas e as suas vertentes.
Para o futuro, a coordenadora do Gabinete de Propriedade Industrial da AIP/CCI deixa ficar o desejo de repetir a experiência numa outra perspectiva, a do e-commerce, um tema interessante e relevante. Este, segundo Ana Silva, encerra em si muitos desafios e riscos, pelo que se torna importante debatê-lo para alertar as empresas portuguesas.


Associação Industrial Portuguesa:
Endereço electrónico: www.aip.pt
E-mail: dace.apoio.clientes@aip.pt
Tel.: 213 60 1693/1140/1120
Fax: 213 639 046

quarta-feira, junho 14, 2006

Marketing Serviços: dificuldades na decisão


As características próprias dos serviços fazem com que algumas decisões de marketing sejam mais complicadas de tomar, principalmente nas áreas dos Estudos de mercado, Posicionamento, Controlo da Qualidade e Comunicação.

Tendo em conta que cada experiência de serviços é única, pois envolve diferentes actores que a influenciam de forma igualmente diferente, a representatividade das amostras nos estudos de mercado nem sempre consegue atingir o grau de realismo supostamente pretendido. Por outro lado, a imaterialidade dos serviços não permite que sejam testados novos conceitos com a mesma facilidade que se consegue fazer com os produtos.

Em relação ao posicionamento as dificuldades também são acrescidas. Devido à facilidade de imitação das ideias inovadoras em serviços, aqueles que se distinguem são rapidamente vulgarizados pelo acompanhamento que a concorrência faz. A ideia que passa para o público é que os serviços são todos idênticos.

Então, a diferenciação dos serviços tem de apoiar-se mais na qualidade da prestação (por isso o factor humano nas empresas de serviço assume uma importância crucial) ou no nível do preço do que na originalidade do conceito. Isto não quer dizer que não existam conceitos de serviços inovadores. Temos o exemplo recente do portal interactivo Servingo, uma iniciativa da INI-GraphicsNet, que disponibilizará, entre outras, indicações sobre meios de transporte ou reservas de alojamento, bem como informação sobre onde podem ser contactadas as diversas autoridades, e os locais dos eventos relacionados com o campeonato do Mundo de Futebol na Alemanha. Esta plataforma informática disponibiliza, após registo do utilizador, todas as informações relacionadas com o campeonato, através do telemóvel, PDA, computador portátil, ou no endereço www.servingo.de, indicando, por exemplo, qual a rota ideal para chegar ao local de um jogo ou se a viagem é mais rápida de carro ou comboio, para quem se deslocar à Alemanha. Os utilizadores podem ainda visualizar as melhores jogadas e golos através desde projecto desenvolvido pelos Institutos Fraunhofer de Processamento Gráfico de Dados e com o apoio do ICEP e da câmara de comércio e turismo de Portugal na Alemanha.

Em paralelo, o controlo da qualidade nos Serviços assume também outros contornos mais subjectivos do que aquilo que se passa nos produtos. Se bem que na teoria a qualidade possa ser monitorizada com rigor, na prática não é bem assim devido à relevância do factor humano em cada serviço prestado. Como todas as pessoas são diferentes, por mais que se tente padronizar, a qualidade do serviço vai variar. Desta forma, o controlo da qualidade tem de ser feito não só durante a prestação, mas também depois do serviço prestado. A gestão do relacionamento com o cliente, o seu acompanhamento permanente e o estabelecimento de uma relação personalizada e duradoura assumem uma extrema importância no marketing de serviços.

Adicionalmente, a distribuição nos serviços traz outras dificuldades que não acontecem no campo dos produtos. Como a produção do serviço não pode ser preparada com antecedência, tem de ser feita em simultâneo com o seu consumo, em presença do cliente (natureza perecível dos serviços), ou seja, não é possível ter serviços em stock, o que pode originar, em certas alturas, um excesso de procura difícil de dar resposta. Por outro lado, é muito normal que a seguir à “época alta” venha a “época baixa”, em que a procura não preenche a oferta.

Estas situações podem ser exemplificadas com o que acontece nos hotéis, ou mesmo com as passagens de avião ou até com a grande afluência de pessoas que vai para as filas dos bancos para serem atendidas à hora do almoço. Perante a natural flutuação da procura, a empresa de serviços deverá preparar-se com mecanismos que a equilibrem. É o que os hotéis tentam fazer quando praticam preços mais baixos para a altura de menos afluência. Os bancos também tentam diminuir os momentos de grande procura nos balcões, convidando os clientes a utilizarem as máquinas para depósitos de cheques ou a utilizarem os canais alternativos.

Por último, a Comunicação também tem um papel mais difícil de cumprir, pois não tem uma base material na qual possa fundamentar os seus argumentos. Ao contrário do que acontece nos produtos, tem de tentar tangibilizar o que é imaterial, apresentando promessas e benefícios sem uma base visível.

Os marketeers aproveitam todos os momentos de contacto para darem sinais objectivos da qualidade do serviço, desde o ambiente físico que rodeia a experiência de serviço até à escolha e formação do pessoal de contacto.


Bruno Valverde Cota

segunda-feira, junho 12, 2006

Disney vende fruta


A Disney fez extensão da marca e começou a vender fruta em supermercados europeus.

Para seduzir mais crianças a comer os seus produtos, está a colocar cromos na fruta que podem ser coleccionados num livro para o efeito.

Este ano cessa o contracto de 10 anos que a Disney tem com a McDonalds e a primeira não pretende renová-lo. Andy Mooney, chairman dos Produtos Consumíveis da Disney disse que a marca pretende ser associada a produtos alimentares saudáveis .

Até agora existiam produtos como pizzas e hamburguers com a forma do Mickey Mouse que eram vendidos no Carrefour, em França e nos supermercados Metro, na Alemanha. Este tipo de comida não é saudável e pode ser associado a crianças obesas.

O ano passado, a Disney lançou mais de 300 produtos alimentares para crianças, na Europa, e espera lançar mais fruta e legumes, brevemente.

sexta-feira, junho 09, 2006

Governo aprova criação de empresas on-line


Foi aprovada ontem a constituição on-line de sociedades, no âmbito da "empresa na hora" e a criação da "marca na hora", em Conselho de Ministros.

Com este novo regime jurídico torna-se possível a constituição on-line de sociedades comerciais e civis sob a forma comercial (do tipo por quotas e anónima).

O objectivo é estabelecer de uma verdadeira relação desmaterializada entre os cidadãos e os serviços da administração pública, permitindo aumentar a comodidade dos cidadãos na utilização desses serviço.

Estas iniciativas concretizam medidas do Programa Simplex. As iniciativas contribuem também para o desenvolvimento do Plano Tecnológico e criam condições para a redução dos obstáculos administrativos ao fomento do espírito empresarial, essencial para a melhoria da competitividade da economia portuguesa .

O projecto "empresa on-line" que agora se aprova permite constituir empresas por via electrónica , com utilização da Internet, sem necessidade de deslocações físicas, criando empresas de forma rápida pois a constituição será imediata ou no prazo de dois dias úteis após o pagamento dos encargos, consoante o pacto social adoptado tenha resultado de uma escolha de entre pactos pré-aprovados ou do envio de um pacto elaborado pelos interessados.

Para além disso, permite criar empresas de forma barata pois o custo será sempre inferior ao da constituição de sociedades comerciais pela via tradicional e de forma segura pois estão asseguradas as comunicações electrónicas necessárias às entidades de controlo competentes.

Por último, permite que os interessados possam constituir empresas através da utilização meias de certificação electrónica adequados ou solicitem os serviços de advogados, solicitadores ou notários para o fazer.